Segunda-feira, 16 de setembro de 2024 - 14h10

O Transtorno do
Espectro Autista (TEA) é uma condição que afeta o desenvolvimento das crianças
em diversas áreas. Segundo o Ministério da Saúde, elas podem ter alterações na
capacidade de comunicação, linguagem, interação social e no comportamento.
Também é comum apresentarem questões alimentares, como restrição, sensibilidade
e intolerância a ingredientes, cores ou texturas.
Estudo
feito pelo Departamento de Pediatria da Universidade de Medicina de Atlanta,
nos Estados Unidos, concluiu que crianças neurodivergentes têm cinco vezes mais
chances de apresentarem dificuldades alimentares, quando comparadas com
crianças neurotípicas.
A
rejeição pode acontecer por conta de cheiro, cor, textura, sabor ou outros
aspectos dos alimentos. Segundo estudo publicado na Revista Saúde e Desenvolvimento, a falta de
conhecimento dos familiares e a rotina exaustiva fazem com que muitas crianças
neurodivergentes se alimentem de produtos industrializados, processados e
ultraprocessados. Como resposta, elas tendem a apresentar sintomas
gastrointestinais, constipação, alergia e vômito.
A recomendação é que
o tratamento
de autismo esteja alinhado ao
acompanhamento nutricional para garantir um crescimento saudável. De acordo com
informações do Espaço Cel, a personalização da dieta, considerando as
particularidades das pessoas neurodivergentes, contribui para o desenvolvimento
cognitivo e emocional, além de ser importante para o progresso de intervenções
terapêuticas.
Ao receber o
diagnóstico de alguma condição que afeta o neurodesenvolvimento de uma criança,
os pais e responsáveis podem apresentar dúvidas. Inicialmente, alguns pesquisam
na internet “sintomas do autismo”, “tdah o que é”,
“dislexia tratamento”, entre outros termos. É possível encontrar conteúdos
informativos, mas a orientação é que as dúvidas sejam levadas aos profissionais
de saúde que acompanham a criança.
Estratégias ajudam a reduzir a resistência
alimentar
A recusa alimentar
pode fazer com que as crianças com autismo apresentem carências nutricionais,
comprometendo o crescimento e o desenvolvimento. Para garantir a saúde e a
qualidade de vida , o Espaço Cel informa ser essencial ter atenção aos sinais
alimentares e o acompanhamento nutricional, adaptando estratégicas conforme
necessário.
Para driblar os
obstáculos alimentares, os profissionais da área da nutrição adotam estratégias
que tornam a alimentação mais lúdica e interessante. As técnicas devem ser
incorporadas na rotina familiar para que a criança consiga superar a resistência
alimentar.
O estudo publicado na
Revista Saúde e Desenvolvimento informa que a terapia ocupacional, com
abordagem de integração sensorial e musicoterapia, é capaz de obter resultados
favoráveis na aceitação dos alimentos e na diminuição da seletividade
alimentar.
A pesquisa destaca
que outra forma de ajudar no processo é proporcionar às crianças a participação
em oficinas culinárias, garantindo um contato maior com o processo de
alimentação e experiências diferenciadas com a comida. Esse tipo de estratégia
desperta maior interesse pelos alimentos, diminuindo as chances de seletividade
por conta da textura, do sabor e da cor.
Outra técnica que
pode ser adotada é a escalada do comer, que consiste em uma série de etapas que
introduzem, aos poucos, novos alimentos na rotina de quem apresenta
seletividade alimentar. Os passos da escalada são: tolerar, interagir, cheirar,
tocar, provar e comer. O processo é gradativo, aumentando a aproximação e a
aceitação da criança com alimentos que ela não costuma comer.
Suplementação pode ser alternativa
Em casos de
deficiência nutricional em que não é possível substituir alimentos, as crianças
neurodivergentes também podem fazer uso de suplementação. Estudo publicado no Brazilian
Journal of Health Review mostrou que os suplementos podem ajudar na
ingestão dos nutrientes necessários para o funcionamento do organismo,
auxiliando no desenvolvimento saudável da criança.
A indicação sobre
suplementação deve ser feita pelos profissionais da saúde que acompanham a
criança, a partir da avaliação de exames que identifiquem os níveis de
vitaminas, minerais e outros nutrientes.
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