Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025 - 09h08
Política, Ética e os Desafios
da Governação no Mundo Contemporâneo
A necessidade de limitar o poder para evitar regimes totalitários é
evidente. No entanto, hoje enfrentamos um "totalitarismo brando", influenciado
por agendas e ONGs...
.... No contexto global, é crucial reconhecer que países como a China e
a Rússia podem necessitar de regimes autoritários em fases intermédias do seu
desenvolvimento histórico. Impor valores ocidentais a estas nações, sem
considerar as suas particularidades culturais e históricas, pode levar a
conflitos internos e desestabilização. A contenção e o respeito pelas
trajetórias distintas de cada povo são essenciais para evitar insurreições e
promover uma coexistência pacífica no sentido de uma cultura de paz ...
No entanto, mesmo este sistema não está imune a manipulações, e a miopia
das massas pode ser tão perigosa como a brutalidade dos governantes...
A desconstrução da instituição família pelo estado progressista é outro
fenómeno preocupante, que merece uma reflexão profunda...
A aspiração moral de combater a tirania e promover a justiça é legítima,
mas carece de instituições capazes de a concretizar. Como bem lembrou Voltaire,
"É perigoso ter razão quando o governo está errado".
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo in Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9947
“COMPLEXO DE DEUS”: A ILUSÃO
DA OMNIPOTÊNCIA E A DECADÊNCIA DA SOCIEDADE MODERNA
A sociedade contemporânea vive sob a ilusão de que o ser humano pode
tudo e da crença no progresso. Essa crença na omnipotência, que o psicanalista
Horst-Eberhard Richter chamou de "Complexo de Deus", não é apenas uma
perturbação psicossocial, mas um factor central da decadência moral e cultural
que vivemos hoje. No seu livro “Complexo de Deus”, Richter descreve a
civilização ocidental moderna como marcada por uma reivindicação de uma
omnipotência egocêntrica e quase divina, que ignora os limites da condição humana.
Essa ilusão de grandeza, no entanto, é uma fuga frágil diante das crises que
nos assolam. Donald Trump expressa de maneira extrema o narcisismo que se tem
mantido encoberto nas nossas elites políticas...
Os sentimentos de impotência, baixa autoestima ou problemas não
resolvidos da infância podem resultar na superestimação das próprias
capacidades, criando assim a distorção psicológica do chamado "complexo de
Deus". Este fenómeno leva ao dogmatismo das opiniões e à ilusão de
infalibilidade, como se a próprio ponto de vista fosse o único correto. Essa
postura impede o desenvolvimento do autoconhecimento e da autocompreensão. Uma
convivência equilibrada com os outros promove uma avaliação realista de nossas
capacidades e limites, em contraste com uma identidade baseada em projeções
idealizadas de si mesmo...
Em tempos de guerra, esse complexo intensifica-se, fomentando uma
mentalidade maniqueísta e dicotómica, em que tudo é reduzido à alternativa
"bem" ou "mal"...
Esse mesmo complexo também se manifesta nas relações interpessoais.
Manter distância emocional de pessoas que sofrem dessa ilusão de grandeza é
essencial para evitar ser arrastado para a mesma inquestionabilidade que pode
criar-se em ambientes tóxicos...
A ideia do "super-homem" de Nietzsche, embora fascinante, é
unilateral e conduz ao sofrimento, pois desconsidera a dimensão humana da
existência. Bento XVI, ao alertar sobre esse perigo, afirmou: "Onde a ação
humana já não corresponde à existência humana, a verdade transforma-se em
mentira"...
No passado, a sociedade contava com intelectuais que forneciam
orientação e autoridade moral, muitas vezes em oposição aos governantes.
Durante séculos, a Igreja desempenhou esse papel...
O extremismo narcísico apoiado pelo grande capital leva as grandes
potências a lutar pela hegemonia e dificulta uma política de bem comum. Assim o
que restará para o povo é o que fica dos militares e da luta das corporações
económicas entre si...
O desafio é substituir a ilusão de grandeza pela humildade de reconhecer
os nossos limites e agir em harmonia com os outros. A resposta à crise não está
na subordinação de todas as acções à economia, como defende Trump, mas no
resgate de uma cultura baseada no "nós", que valorize a compaixão, a
reflexão crítica e o respeito pela condição humana (“amor ao próximo”).
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9943
"ROMA" E "BRUXELAS"DIALOGANDO
Era uma noite fria e silenciosa em Bruxelas. As estrelas pareciam
distantes, como se também elas tivessem perdido a fé na Europa. No coração da
cidade, onde as instituições da União Europeia se erguiam imponentes, duas
figuras marcantes se encontravam frente a frente: Roma e Bruxelas. Não eram
meros lugares ou cidades, mas entidades personificadas, símbolos de duas forças
em tensão constante: Roma, personificação da tradição, da história e das raízes
da civilização ocidental, e Bruxelas, símbolo da modernidade, da burocracia e
da busca por uma unidade frágil.
Roma, de vestes douradas e olhar sério, trazia em si o peso da história
e da tradição. Falava em latim puro, reminiscente das colunas que sustentaram
impérios e doutrinas de sustentabilidade. Bruxelas, vestida de vidro e aço,
emanava pragmatismo e progresso, discursando numa multiplicidade de línguas,
sempre diplomática, mas esgotada na busca de consenso. "Vejo que continuas
a tentar construir um império sem alicerces", disse Roma, com uma voz que
ecoava séculos de sabedoria. "A tua torre de Babel desmorona-se, e ainda
assim insistes em subir mais alto."
Bruxelas respondeu, com um tom defensivo: "Não entendes, Roma. O
mundo mudou. Precisamos de unidade, de progresso, de superar as divisões que
nos enfraquecem. A Europa já não pode viver de mitos e tradições. "
Roma sorriu, mas havia tristeza no seu olhar. Suspirou e observou as
multidões que passavam. Cada rosto era uma expressão do caos ordenado que
Bruxelas tentava manter. No entanto, por baixo das fachadas modernas,
percebia-se uma fragilidade crescente, uma sociedade cada vez mais desconectada
de suas raízes. "Unidade? Progresso? Diz-me, Bruxelas, o que é progresso
sem sabedoria? O que é unidade sem identidade? Vejo em ti o mesmo complexo que
afligiu tantos impérios antes de mim: a crença na omnipotência, na
infalibilidade. Vocês acham que podem governar sem olhar para trás, sem
aprender com os erros do passado."
Bruxelas cruzou os braços, revelando incomodação. "Não somos como
tu, Roma. Não cairemos na arrogância dos deuses. Temos instituições, leis, um
sistema que nos protege dos excessos."
Roma riu, numa gargalhada que ecoou como um trovão. "Protege-vos?
Ou aprisiona-vos? Vejo em vossos líderes a mesma vaidade que outrora condenou
os meus. Eles acreditam que podem controlar tudo, desde a economia até à
natureza humana. Mas o que fazem quando a crise chega? Culpam-se uns aos
outros, fecham-se em dogmas, e recusam-se a ver a realidade."
Bruxelas olhou para o chão, hesitante. Sabia do que Roma falava. A
Europa, outrora ciente de suas limitações, agora vangloriava-se de uma falsa
omnipotência. Os seus líderes, convencidos de sua infalibilidade, impunham
dogmas sociais e políticos sem espaço para debate ou reflexão crítica. Nos
corredores do poder, qualquer oposição era reduzida a um maniqueísmo simplista:
ou se estava com o progresso, ou se estava contra ele. "Talvez tenhas
razão em parte. Mas o que sugeres? Voltar ao passado? Abandonar tudo o que
construímos?"
Roma aproximou-se, colocando uma mão no ombro de Bruxelas. "Não se
trata de abandonar, mas de recordar. A Europa foi construída sobre três
pilares: a razão de Atenas, a fé de Jerusalém e o direito de Roma. Vocês
esqueceram-se disso; na ânsia de criarem uma ordem perfeita, negligenciaram a
humanidade do próprio povo. Em vez de humildade, escolheram a arrogância. Em
vez de compaixão, escolheram o cálculo. Em vez de união verdadeira, criaram uma
ilusão de uniformidade."
Bruxelas suspirou, e pela primeira vez, sua voz pareceu frágil. "E
agora? Como saímos deste labirinto?"
Roma olhou para o horizonte, onde o sol começava a despontar.
"Reconhecei as vossas limitações. Aceitai que não sois deuses, mas
humanos. Reencontrai as vossas raízes, não para repetir o passado, mas para
entender quem sois. E acima de tudo, cultivai a humildade. Como disse um dos
vossos pensadores, 'onde a ação humana já não corresponde à existência humana,
a verdade transforma-se em mentira'.(1)"
Bruxelas ficou em silêncio por um momento, refletindo. Bruxelas sentiu
um calafrio. Sabia que Roma tinha razão. Na sua sede por uma sociedade
perfeita, os líderes europeus haviam criado bolhas ideológicas, alimentadas por
um ciclo mediático que apenas reforçava o pensamento dominante. Não havia mais
intelectuais independentes, apenas burocratas e comentadores que repetiam o que
era conveniente. "E se falharmos?"
Roma sorriu novamente, desta vez com uma centelha de esperança.
"Então a Europa, como tantos impérios antes dela, será apenas mais uma
lição para o futuro. Mas ainda há tempo. A escolha é vossa. Precisamos de
líderes que saibam ouvir, que compreendam que governar não é impor, mas servir.
Que aceitem que nem tudo pode ser controlado e que a sociedade precisa de
raízes para florescer "
Bruxelas olhou para Roma e, por um instante, sentiu o peso da sua
responsabilidade. A crise que se espalhava pelo continente não era apenas
económica ou política — era espiritual. A Europa havia perdido a sua identidade
na ilusão da omnipotência.
E assim, os dois espíritos se despediram, enquanto o sol iluminava as
ruas de Bruxelas e o vento soprava entre as estátuas antigas e os edifícios
modernos. A cidade continuava a mesma, mas algo havia mudado. Talvez, pensou
Bruxelas, fosse hora de olhar para trás, não com nostalgia, mas com humildade,
e encontrar um caminho que unisse o melhor do passado com as possibilidades do
futuro.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9940
UM COMENTÁRIO ÀS ELEIÇÕES NA ALEMANHA
O “Neue Zürchner Zeitung” da Suiça é curto, mas direto na sua avaliação!
Sua apreciação:
“O populismo de esquerda e o fomento de medos irracionais de um suposto
regresso do fascismo podem manifestamente obter bons resultados na Alemanha.”
Foi realmente indigna de uma Alemanha, que estávamos habituados a
conhecer, verificar nestas eleições tanta intromissão propagandística através
dos media em geral e da esquerda-woke com as suas ONGs.
O suíço John Coustos, lapidário de diamantes, um proeminente maçom, fundador da Primeira Loja Maçônica de Portugal, caminhava livremente pelas rua
A Vitória da Direita na Alemanha na Continuidade da Estrutura Política
O "populismo" de cima triunfa sobre o populismo de baixo Os resultados das eleições federais (contagem de 24.02.2025), em comparação com as eleiçõ
Centrão cobra fatura do governo Lula pela eleição de Hugo Motta
A politica brasileira é feita de acordos, mas não é qualquer acordo. E, quando se trata de acordo, a primeira coisa que logo vem a mente de muitas p
Português assassinado em França por um islamista
Um acto de coragem e uma tragédia que não pode ser esquecida Lino Sousa Loureiro, de 69 anos, natural de Ermesinde e residente em França desde 199