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Religião fora da política já!


Antônio Tavernard - servidor público - Gente de Opinião
Antônio Tavernard - servidor público

A religião é parte importante da vida de muitas pessoas. Ela fornece orientação moral, conforto espiritual e senso de comunidade. A política, por sua vez, envolve o processo de tomada de decisões que afeta a vida de todos. A mistura entre religião e política é perigosa, na medida em que as crenças religiosas têm sido usadas para justificar políticas públicas que levam à discriminação, à intolerância e à violência.

No Brasil, o Estado é laico. Isso significa que a religião não pode influenciar as decisões governamentais. No entanto, na prática, a religião tem adquirido um papel central na política brasileira. As bancadas evangélicas, por exemplo, têm crescido bastante, e as crenças religiosas de seus parlamentares têm sido utilizadas para justificar determinadas posições políticas. Isso leva a conflitos entre diferentes grupos religiosos, uma vez que não há e nunca houve consenso entre as religiões a respeito de vários temas nevrálgicos de nossa sociedade, tais como a legalização do aborto e o uso da Cannabis medicinal, para citar apenas dois entre tantos outros exemplos. Alie-se a isso o fato de que a mistura entre religião e política pode levar à violação dos direitos humanos, quando a propositura de leis que promovem a discriminação contra determinadas minorias é justificada com base em argumentos religiosos.

É importante que a religião e a política sejam bem separadas para garantir que todos tenham a oportunidade de participar do processo político, independentemente da crença religiosa que professam. Essa salutar separação protege os direitos humanos e permite que os cidadãos sejam tratados de forma igualitária, inclusive ajudando a prevenir a discriminação e a intolerância contra minorias religiosas. Manter as decisões políticas apartadas de questões religiosas e dogmáticas é, por isso, princípio basilar de uma sociedade democrática.

Sendo assim, a ideia de criar capelanias nas escolas de Rondônia, proposta pelos deputados da nossa Assembleia Legislativa, afronta o Estado laico e a democracia. Como todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, conforme determina a Magna Carta, resta saber se em cada escola haverá também um pastor, um padre, um umbandista e um espírita para aconselhar nossas crianças.


*Antônio Tavernard - servidor público

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