Segunda-feira, 11 de novembro de 2024 - 14h53

O
Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação à Agência Nacional de
Mineração (ANM) para que, no prazo de 90 dias, edite normas que estabeleçam
critérios objetivos e delimitados para diferenciar as atividades minerais
destinadas a pesquisas das atividades de aproveitamento comercial de minérios,
em qualquer local do país. A ANM deve apresentar resposta escrita sobre o
atendimento ou não da recomendação no prazo de 30 dias.
De
acordo com o procurador da República André Luiz Porreca, um dos responsáveis
pela recomendação, a inexistência de critérios claros para diferenciar o
maquinário utilizado na pesquisa mineral e aquele empregado na exploração
comercial do minério prejudica a efetividade da repressão ao garimpo ilegal.
“Os agentes ambientais e a polícia precisam saber, por exemplo, se uma
embarcação está apenas realizando pesquisa mineral ou se, efetivamente, está
explorando recursos minerais”, esclarece Porreca.
Segundo
o procurador da República, além de prejudicar a fiscalização, a ausência de
critérios fomenta a atividade ilegal, “na medida em que muitas pessoas com
títulos de pesquisa se valem dessas autorizações simplificadas para explorar
comercialmente os recursos minerais, sem qualquer controle sobre o impacto
ambiental gerado pela atividade”.
Atualmente,
para realizar atividades de pesquisa os titulares dependem de uma autorização
simplificada que permite a verificação do potencial econômico de determinada
jazida. Nela, como regra, não há retirada do minério, salvo em casos
excepcionais e mediante guia de utilização expedida pela Agência Nacional de
Mineração. Já no caso de lavra, que é a exploração comercial do minério
propriamente dita, é necessária licença ambiental e permissão dada pela ANM, ou
seja, um processo mais complexo.
Recomendação – No
documento, o MPF orienta que as normas adotadas pela ANM incluam, no mínimo, as
seguintes diretrizes:
• Definição técnica e operacional dos equipamentos
permitidos para a pesquisa e para a lavra garimpeira;
• Estabelecimento de limites quantitativos para cada autorização de pesquisa
mineral, limitado às necessidades da pesquisa;
• Critérios para identificação das embarcações utilizadas em cada atividade;
• A exigência de comprovação periódica de que a extração atende aos critérios
estabelecidos no plano técnico-econômico aprovado
A
recomendação foi elaborada pelos ofícios da Amazônia Ocidental, que contemplam
núcleos especializados no enfrentamento do garimpo e da mineração ilegais. As
medidas adotadas pela ANM serão acompanhadas pelo Ministério Público Federal e
todas as atividades que forem realizadas com base no documento devem ser
informadas.
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