Quinta-feira, 12 de março de 2026 - 15h42

PL
A cidade de Ji-Paraná será palco neste fim de semana de um dos
maiores atos políticos recentes de Rondônia. O Partido
Liberal organiza um grande evento no Clube Vera Cruz para marcar a
filiação do deputado federal Fernando Máximo, que chega à legenda como
pré-candidato ao Senado.
LANÇAMENTO
Na mesma agenda será oficializado o lançamento da pré-candidatura ao
governo do senador Marcos Rogério, consolidando a estratégia eleitoral do
partido no estado. A grande atração política do encontro será o senador Flávio
Bolsonaro, que participa do ato na condição de pré-candidato à Presidência da
República.
MOBILIZAÇÃO
São esperadas milhares de pessoas no evento, mobilizadas por lideranças
regionais e apoiadores da direita rondoniense. Embora não seja a primeira vez
que Flávio Bolsonaro visita Rondônia, esta será a primeira em que desembarca no
estado já projetado como presidenciável.
EMPATE
O momento político é considerado favorável ao senador. Levantamentos
recentes indicam um cenário competitivo, com Flávio aparecendo tecnicamente
empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em algumas pesquisas
nacionais.
DISPUTA
O dado chama atenção sobretudo entre adversários, já que, até pouco
tempo atrás, o nome do senador era frequentemente subestimado nos círculos
petistas. Agora surge no tabuleiro eleitoral como um candidato capaz de
disputar espaço real na corrida presidencial.
HOSTILIDADE
A atuação do deputado federal Lúcio Mosquini (MDB) na Câmara
tem sido marcada por um discurso sistematicamente hostil à agenda ambiental. Em
diversas ocasiões, o parlamentar trata a legislação de proteção à natureza como
se fosse um entrave burocrático criado apenas para “atrasar o agro”, ignorando
que tais normas existem justamente para equilibrar produção e preservação. Sua
retórica reduz o debate ambiental a um falso dilema entre desenvolvimento e
conservação, como se proteger florestas, rios e biodiversidade fosse
incompatível com o progresso econômico.
NEGACIONISMO
Mosquini frequentemente adota posições que flertam com o negacionismo
ambiental, minimizando os impactos do desmatamento e relativizando a
importância das políticas de controle. Ao tratar a fiscalização ambiental como
inimiga do produtor rural, o deputado estimula uma narrativa perigosa que
deslegitima instituições e enfraquece instrumentos essenciais de proteção do
patrimônio natural brasileiro.
VISÃO
Em um estado como Rondônia, onde a pressão sobre a floresta é histórica
e intensa, espera-se de um representante público responsabilidade e visão de
futuro. No entanto, o que se vê nas posições de Mosquini é uma postura que
parece olhar apenas para o curto prazo, como se o avanço econômico pudesse
prescindir da preservação ambiental. Essa visão não apenas empobrece o debate
público, como também ignora que o próprio agronegócio depende de equilíbrio climático,
água e solo saudável para sobreviver.
SENSO
O Supremo Tribunal Federal vive hoje um dos momentos mais delicados
de sua relação com a opinião pública. A percepção do homem comum é de crescente
desconfiança diante das revelações envolvendo o chamado “caso Master”, o que
levou parte da população a defender algum tipo de sanção aos ministros citados
nas investigações.
ALVOS
Entre eles está Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que já vinham sendo
duramente criticado por setores da direita por sua atuação como relator dos
processos ligados aos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023 e também
pela condução de decisões envolvendo Jair Bolsonaro. O outro foi obrigado
deixar a relatoria do Caso Master.
RECONHECIMENTO
É inegável, contudo, que Moraes teve papel central na resposta
institucional aos ataques à ordem democrática. Naquele momento crítico, o
Supremo funcionou como um dos principais garantidores da estabilidade
institucional do país. Ainda assim, nenhuma autoridade está acima da lei. Como
qualquer agente público, ministros da mais alta Corte também devem responder a
eventuais irregularidades caso elas se confirmem.
DESGASTE
Pesquisa divulgada nesta semana aponta que o desgaste ultrapassou as
bolhas políticas mais radicais. Segundo o levantamento, mais de 60% da
população afirmam apoiar a abertura de processo de impeachment contra os
ministros citados.
EROSÃO
O dado revela o tamanho da erosão de confiança que se instalou. Ao mesmo
tempo, é preciso lembrar que nem todos os fatos vieram plenamente à tona, e
qualquer julgamento definitivo exige prudência, investigação completa e
respeito ao devido processo legal.
CPI
A proposta de criação de uma CPI para investigar ministros do Supremo
Tribunal Federal no suposto escândalo envolvendo o banco Master ampliou o clima
de tensão no Congresso. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio
Bolsonaro afirmou que a iniciativa é juridicamente questionável e não
encontra amparo nas prerrogativas constitucionais do Parlamento.
TESE
Segundo ele, uma Comissão Parlamentar de Inquérito não pode ser
utilizada para investigar, em tese, crimes comuns atribuídos a magistrados,
como seria o caso dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
REVELAÇÃO
Apesar de considerar
a CPI ilegal sob o ponto de vista jurídico, Flávio revelou que chegou a assinar
o requerimento para sua criação, justamente para não ser acusado de omissão ou
conivência. A atitude acabou sendo criticada pelo senador Alessandro Vieira,
que insinuou que a posição do colega seria contraditória e complacente diante
das denúncias.
HIPOCRESIA
A reação de Flávio
foi imediata. O senador afirmou que a crítica de Vieira representa um exercício
de hipocrisia política. Segundo ele, assinar o pedido foi um gesto para
permitir que o debate ocorra no Senado, mas isso não significa concordar com a
constitucionalidade da investigação proposta. Para o pré-candidato, insistir em
uma CPI com objeto que envolve supostos crimes comuns de ministros do Supremo
seria criar um instrumento juridicamente frágil e politicamente contaminado.
TRANSPARÊNCIA
Vieira, por sua vez,
sustenta que o Congresso não pode se furtar a investigar fatos graves envolvendo
autoridades de qualquer Poder. O senador defende que a CPI é um mecanismo
legítimo de apuração política e de transparência institucional.
CAPÍTULO
O embate entre os
dois parlamentares expõe mais um capítulo da disputa sobre os limites de
atuação do Legislativo diante do Judiciário, num momento em que o ambiente
político já começa a ser influenciado pelo cenário pré-eleitoral.
TRAJETÓRIA
Na política rondoniense, certas candidaturas parecem brotar menos da
convicção e mais da absoluta falta de opção. É neste cenário que ressurge o
nome de Expedito Neto, personagem que já experimentou duas passagens pela
Câmara dos Deputados sem jamais conseguir imprimir densidade política à própria
trajetória.
MEDIOCRIDADE
No primeiro mandato, Neto até aparentou algum zelo institucional, o
suficiente para garantir uma reeleição com votação respeitável. Na essência,
tratou-se de um período marcado por discreto anonimato parlamentar, quase
sempre orbitando à margem dos grandes debates nacionais. No segundo mandato, a mediocridade
tornou-se mais visível, com pouca presença política, raras iniciativas
relevantes e eventuais lampejos de agressividade retórica que substituíam, mal
disfarçadamente, a ausência de protagonismo.
DERROTA
Foi justamente nesse período que se destacou pela participação
estridente na votação do impeachment de Dilma Rousseff durante o
Impeachment de Dilma Rousseff. Fora daquele espetáculo parlamentar, contudo, a
atuação permaneceu pálida. O eleitor percebeu. Na eleição seguinte, sua votação
foi tão modesta quanto o próprio segundo mandato, e o resultado foi o
previsível desaparecimento das urnas.
O ESTRANHO
Agora, numa reviravolta que faria corar até os mais flexíveis
pragmáticos da política, Neto abandona a presidência do Partido Social Democrático em
Rondônia para se apresentar como pré-candidato ao governo pelo Partido dos
Trabalhadores. Trata-se de uma conversão política que não se explica por
militância, afinidade ideológica ou sequer convivência com as entranhas do
partido. Nada indica que compartilhe dos princípios estatutários petistas nem
que tenha passado perto deles.
MANTRA
Desde a derrota eleitoral, o ex-deputado fixou residência em Brasília,
onde ocupa discretamente uma assessoria no Ministério da Pesca e
Aquicultura, posição obtida, ironicamente, por indicação do próprio PSD. Nas
redes sociais, quando aparece, o que é raro, limita-se a repetir, quase como um
mantra, que é o pré-candidato do PT ao governo de Rondônia. Conteúdo político
consistente, até agora, não há.
UTILIDADE
No fundo, a história revela mais sobre o vazio do cenário do que sobre o
personagem. Como ninguém parece disposto a vestir a camisa de candidato do PT
ao governo de Rondônia, tarefa que muitos consideram eleitoralmente suicida,
qualquer voluntário disposto a enfrentar a provável derrota passa a ser útil.
Neto, nesse contexto, caiu como uma luva ao combalido PT.
MANCEBO
Ainda assim, entre os próprios petistas, poucos parecem levar o jovem
mancebo realmente a sério. O que não deixa de ser sintomático. Quando um
partido aceita quase qualquer nome para cumprir tabela eleitoral, o problema
talvez não esteja apenas no candidato, mas na própria circunstância política. O
ressurgimento político para Expedito Neto é bom, uma vez que estava relegado ao
ostracismo. Mesmo que o retorno seja pelo partido que passou toda a vida em
combater Neto acertou em retornar a ribalta. Embora as probabilidades
eleitorais de uma vitória sejam perto de zero.
RADARES
A concessionária da BR‑364 finalmente anunciou um grande
“investimento”. Não, não se trata de duplicação, nem de terceira faixa em larga
escala. A novidade que chega em ritmo acelerado são dezenas de radares
espalhados pela rodovia. Tudo em nome da segurança, claro - ao menos no
discurso oficial.
MAQUETE
Na prática, parece mais um eficiente sistema de arrecadação automática.
Enquanto isso, a duplicação segue no campo das promessas e das maquetes
imaginárias. O motorista paga pedágio, paga multa e continua pagando paciência.
A rodovia permanece com trechos perigosos e infraestrutura aquém do necessário.
Mas os radares, esses sim, devem funcionar com precisão suíça. Afinal,
arrecadar é bem mais rápido do que duplicar. Na BR-364, a modernização parece
ter começado justamente pelo cofre.
Quinta-feira, 12 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
Assista a entrevista:

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