Sexta-feira, 20 de março de 2026 - 18h04

Uma
greve que será deflagrada no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e
Transportes de Rondônia (DER/RO) no próximo dia 24 de março escancara uma crise
que vinha sendo denunciada há anos: suposto aparelhamento político, contratação
indevida de comissionados, distorções salariais e falta de diálogo com os
servidores.
Segundo
o Sindicato dos Servidores do Departamento de Estradas de Rondônia – SINDER, e
o Sindicato dos Engenheiros do Estado de Rondônia - SENGE, o órgão conta com
cerca de 1.400 trabalhadores, porém pouco mais de 400 são efetivos. O restante
é formado por comissionados e servidores cedidos por prefeituras — quase todos indicados
por parlamentares e beneficiados com gratificações e diárias em valores elevadíssimos.
“O
DER está loteado”, afirmou o presidente do SINDER.
Comissionados
em desvio de função
As
denúncias vão além dos números. De acordo com os servidores, cargos
comissionados registrados como funções de direção superior – CDS - estariam
sendo usados para atividades operacionais, como motoristas, operadores de
máquinas e até engenheiros — funções que deveriam ser exclusivas de
concursados.
PCCS
travado por interesses políticos, dizem entidades
Para
corrigir essas distorções, os sindicatos propuseram ainda em 2022 um novo Plano
de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), elaborado por consultoria
especializada, com reestruturação administrativa e mecanismos para reduzir a
ingerência política.
No
entanto, após a conclusão do estudo e a entrega do projeto, as negociações
começaram a travar.
Segundo
as entidades, o impasse ocorre justamente por atingir um ponto sensível: a
quantidade de cargos comissionados e o pagamento de gratificações.
“Tais
distorções têm impedido o avanço das negociações, não por falta de recursos,
mas por interesses alheios ao interesse público. Nós queremos apenas uma
instituição que esteja a serviço do povo, do homem do campo, que é quem sofre
com a falta de institucionalidade no DER”, afirmam.
Estado
com superávit, mas sem avanço para servidores
Apesar
das alegações de entraves administrativos, os sindicatos destacam que o Estado
de Rondônia vem registrando superávit financeiro desde o início da atual
gestão, o que, na avaliação das entidades, elimina justificativas econômicas
para a falta de avanços.
Segundo
representantes da categoria, os servidores do DER desempenham papel essencial
no escoamento da produção estadual, contribuindo diretamente para a arrecadação
de impostos.
“Nunca
vimos tantos gastos com gratificações, comissionados, diárias e verbas
indenizatórias. Não queremos privilégios, queremos justiça.”
Desde
2009, a categoria teve apenas um reajuste salarial, em 2022 — considerado
insuficiente para recompor as perdas inflacionárias de todos esses anos.
Enquanto
isso, outras categorias do serviço público estadual já foram contempladas com
reajustes e planos de carreira, ampliando o sentimento de desigualdade.
Promessas
não cumpridas e silêncio do governo
Outro
ponto de revolta é o auxílio alimentação, prometido desde 2022 e nunca
implementado. Segundo os sindicatos, os servidores do DER são os únicos que
ainda não recebem o benefício.
A
situação piorou com o que a categoria chama de “silêncio institucional”.
Ofícios enviados em 2025 e 2026 solicitando negociação sequer foram respondidos
pela Mesa Estadual de Negociação Permanente.
Greve
é resultado de anos de impasse
A
crise se arrasta desde pelo menos 2024, quando uma greve chegou a ser iniciada,
mas foi suspensa por decisão judicial com promessa de negociação — que, segundo
a categoria, nunca ocorreu.
“Eles
dizem: façam greve que nós conseguimos limiar. Mesmo tudo errado, eles não
temem a justiça e aos órgãos de fiscalização.” Afirmam os servidores
Agora,
sem acordo e após anos de frustração, os servidores decidiram parar.
A
paralisação não é apenas salarial: ela expõe um problema mais profundo sobre
gestão, falta de institucionalidade e interferência política em um órgão
técnico.
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