Quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 - 19h17
Um exame do crédito nos países mais desenvolvidos, em especial no G7 (os sete países mais ricos) revela que é comum a estes exibir um volume de crédito estável para empréstimos aos consumidores. Em geral esta relação, na média, se situa em 120% do Produto Interno Bruto-PIB. Ou seja, o crédito para o setor privado é 20% maior do que toda a riqueza que esses países produzem. Parece haver uma certa correspondência entre o crédito e o desenvolvimento tanto que na Coréia do Sul o crédito corresponde a100% do PIB e diminui para 70% no Chile. No Brasil o financiamento ao setor produtivo e ao consumo se situa em 33% do PIB tendendo aos 34%. Muito baixo, portanto. Porém, justiça seja feita ao governo Lula da Silva que encontrou o crédito em cerca de 25%. Daí também uma explicação para parte de seu maior sucesso: mais crédito maior facilidade de aumento do produto.
O anúncio de que a economia brasileira cresceu 1,7% no terceiro trimestre deste ano com um crescimento do PIB de 5,7%, em valores o PIB brasileiro totalizou no trimestre passado R$ 645,2 bilhões, provoca uma euforia no mercado de crédito por conta de que, com a economia caminhando bem, o Brasil tem uma enorme oportunidade de ampliar a oferta de crédito à sociedade. Há uma expectativa de crescimento deste mercado de 25% só em 2007. No entanto é preciso alertar que as facilidades do crédito atual podem ser uma enorme armadilha. É preciso que se tome crédito com consciência do controle de seus ganhos e gastos. Muitos consumidores, em especial no caso dos empréstimos consignados, estão dando um passo maior do que as pernas e afundando em juros altos por embarcar na ilusão do dinheiro fácil oferecido por empresas ávidas de lucros.
Não dá para esquecer que crédito é adiantamento do futuro e que se paga um custo por isto, ou seja, a taxa de juros. E, mesmo com a queda de suas taxas, o Brasil ainda tem um dos juros mais altos do mundo. Até para os empréstimos vinculados a descontos na folha de pagamento (o consignado), as taxas ainda são muito altas, principalmente pela falta de risco. Dados de instituições empresariais revelam que já ultrapassou a 60% o comprometimento do orçamento dos brasileiros de baixa renda com dívidas e mais de 72% da população mais pobre, que antes pagava à vista, já criou o hábito de parcelar suas compras. Uma parte disto pode ser explicado pela falta de saída, mas há uma significativa parcela que recorre ao crediário como forma de antecipar o consumo, ou seja, sacam contra o futuro. Assim, por uma estratégia também das empresas, este comportamento vem sendo estimulado com o crescente aumento das parcelas ainda que importando em que o pagamento pelo bem alcance preços estratosféricos. De forma que proliferam as ofertas que dizem cobrar o mesmo preço por um produto em 12 vezes ou à vista e oferecer vendas à prazos por "cartões de crédito" que provocam o endividamento e, muitas vezes, a inadimplência de muitos. Neste fim de ano, por conta disto convém examinar bem suas finanças e refreiar o impulso ao consumismo. Só gaste o que tem. Muita gente que gasta mais do que pode alimenta o cordão dos amargurados.
Fonte: silvio.persivo@gmail.com
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