Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Silvio Persivo

O direito à bobagem é universal


 
A tradição bacharelesca brasileira é conhecida. Sendo uma sociedade nova, relativamente sem tradição, seria de se esperar que tivéssemos uma legislação enxuta, o que não é verdade. Em matéria de leis temos um cipoal que garante tudo, principalmente, depois da Constituição de 1988, nós, no papel, temos direito à quase tudo: saúde, educação, trabalho e o escambau. Papel mesmo de Constituição pega tudo. O que ninguém explica é como estes direitos serão assegurados. Até em campanha eleitoral, num ápice de cara de pau, o ex-presidente Lula da Silva, para justificar o fracasso do seu governo na área, chegou ao cúmulo de dizer que o atendimento do SUS era de primeiro mundo! Se ele não tivesse viajado tanto...até se explicaria.

Nós, economistas, no entanto, sempre procuramos explicar que não existe almoço grátis. Ou seja, se alguém come sem pagar é porque outro produz para que exista o que comer. O governo, por si mesmo, não produz nada, logo, de onde vem sua receita, sua capacidade de oferecer serviços? Dos impostos que são uma parcela do que a sociedade produz. Assim, para se assegurar que haja um tipo qualquer de serviço, é preciso que, além de se arrecadar o imposto do setor privado, o governo seja capaz de gerir bem os recursos para que este serviço seja oferecido. A grande realidade dos governos, em especial os brasileiros, é que são muito bons em cobrar impostos e péssimos em gerir os recursos que são, em geral, desperdiçados com a manutenção da máquina pública, afora os desvios derivados da corrupção. Se cobra mais recursos, por exemplo, para a saúde, porém, não se fala que a saúde é um sorvedouro de recursos. Bastaria ser melhor administrada para que os recursos sobrassem. O grande, e constatado absurdo em relação ao Brasil, é que temos uma carga tributária de primeiro mundo com serviços de quarto. E, para piorar, quem paga imposto no Brasil é o assalariado e não as empresas, daí, a classe média, real, não a abstração das pesquisas de mercado, ter caído dolorosamente, em especial, militares, professores, funcionários públicos que eram melhores pagos e, hoje, se encontram tentando fechar o mês.

Não é pretensão destas linhas resolver os problemas nacionais. O Brasil, hoje, vive bem nas manchetes, mas, perdeu competitividade, perdeu capacidade produtiva. É um país agrário-exportador de novo e, de novo, defasado em ciência e tecnologia. Não vou discutir com a propaganda maciça, do governo que afirma que melhoramos, mas, como um país pode melhorar se sua produção piora? E prometem resolver tudo. Sempre amanhã. Agora surgiu mais uma brincadeira interessante. Nos fins do ano passado foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a denominada Emenda Constitucional da Felicidade, que introduz no artigo 6.º da Constituição federal,  relativo aos direitos sociais, uma frase com a menção de que são estes essenciais à busca da felicidade. De forma que pretende-se alterar nossa Carta Magna para direcionar os direitos sociais à realização da felicidade individual e coletiva. Ho!Ho! É o máximo de ignorância absoluta obter a felicidade a golpes de artigos de lei. É uma maravilha garantir condições mínimas de vida e "elevar o sentimento ou estado de espírito que invariavelmente é a felicidade ao patamar de um autêntico direito". Em suma, o emburrecimento geral chegou ao ponto que não devemos pensar nem discutir mais nada. Vamos ser felizes por obra e graça da Constituição. Só falta, agora, criarmos a Carta Universal de Direitos Humanos de Emburrecimento e de Direito à Bobagem. E, que me desculpe Tiririca, mas, pior do que está parece que a coisa vai ficar!

 Gente de Opinião

Fonte: Sílvio Persivo - silvio.persivo@gmail.com
Gentedeopinião   /  AMAZÔNIAS   /  RondôniaINCA   /   OpiniaoTV / Eventos
 Energia & Meio Ambiente   /   YouTube  / Turismo   /  Imagens da História

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoSexta-feira, 28 de fevereiro de 2025 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Além da superfície do ambiente de negócios

Além da superfície do ambiente de negócios

Segundo o Sebrae, em 2024, no Brasil foram abertos 4.141.455 novos negócios, o que representa 9,9% de crescimento em relação ao ano anterior. Este r

Gente de Opinião: uma trajetória de sucesso

Gente de Opinião: uma trajetória de sucesso

De repente são 20 anos. De repente? Não, pois a história de sucesso do Gente de Opinião é uma trajetória que envolve muitas pessoas, muitas notícias

O aumento do combustível e da pobreza

O aumento do combustível e da pobreza

Em economia não existem fórmulas mágicas ou, como é corrente em linguagem comum, não existe almoço grátis. Assim, como durante todo o ano de 2024 o

A importância do Turismo Responsável

A importância do Turismo Responsável

A iniciativa de realçar a necessidade do turismo responsável foi tomada, em 2020, pelo Ministério do Turismo quando lançou o selo “Turismo Responsáv

Gente de Opinião Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025 | Porto Velho (RO)