Domingo, 19 de fevereiro de 2012 - 16h39
TAMANHO IDEAL-As toras possuem o tamanho ideal para a retirada de lâminas de compensado e ainda os resíduos e pontas servem para a produção de MDF.
Já existe uma experiência de 17 anos, iniciada por Silvio Danholuzo, que começou a selecionar sementes de paricá na floresta para formar um campo de matrizes, em sua fazenda Concrem, no município de Dom Eliseu no estado do Pará, onde existem 2.500 arvores plantadas. Com as sementes colhidas das árvores da fazenda, são produzidas cinco milhões de mudas de paricá por ano. A técnica empregada no viveiro e no plantio das mudas segue o mesmo manejo adotado para a cultura do eucalipto.
Hoje a fazenda tem 17 mil hectares de paricá e o reflorestamento tem árvores com várias idades diferentes para permitir a colheita de madeira durante o ano inteiro. Toda a produção de paricá de Dom Eliseu é direcionada para a fabricação de compensado. Cada árvore produz de três a quatro toras de dois metros de comprimento, tamanho ideal para entrar no torno que retira as lâminas de compensado.
O desdobramento do plantio de paricá
O processamento do paricá no torno só foi possível graças a uma mudança feita pelo Silvio Danholuzo nas engrenagens da máquina. Na região de Dom Eliseu existem 40 tornos em funcionamento. Eles abastecem as fábricas de compensado da região que produzem 50 mil metros cúbicos de placas por mês. O compensado é vendido no mercado interno para uso na construção civil. Um outro mercado importante é a exportação das lâminas de paricá solteiras, sem a montagem das placas. Um produto leve e que é muito cobiçado nos Estados Unidos para revestir pisos e paredes internas de casas de madeira. Os resíduos da fabricação do compensado e as pontas de madeira que não servem para a laminação vão para a fábrica de MDF instalada em Pargominas. O MDF é uma placa de aglomerado de madeira que, pelo seu processo de fabricação, adquire boa resistência e estabilidade, características muito importantes para a indústria de móveis.
A indústria instalada no município de Paragominas processa 300 toneladas por dia, metade de paricá e metade de eucalipto. A madeira é triturada e recebe resina sintética para aglutinar as fibras. As chapas podem receber vários tipos de acabamento, de acordo com a finalidade. A tecnologia entregada hoje permite produzir chapas resistentes a umidade e aos cupins.Com o MDF é possível produzir qualquer tipo de móvel modulado. Hoje boa parte das placas fabricadas em Paragominas é utilizada no pólo moveleiro instalado na região.
Com parque moveleiro moderno e matéria prima renovável, através do plantio de árvores nativas como o paricá, Paragominas e outros municípios do sul do Pará estão deixando para trás a fama de campeões na destruição de florestas. São 60 milhões de pés de paricá que se renovam ano a ano e ajudam a preservar a floresta nativa. No Brasil, o eucalipto e o pinus ocupam quase 99% da área total de florestas plantadas. As outras madeiras, juntas, ocupam pouco mais de 1%, apenas. O paricá, pelas suas qualidades, pode se tornar a primeira espécie brasileira a disputar novos espaços num setor tão competitivo.
Uma nova opção para Rondônia
Em Rondônia o Paricá parece que terá um futuro promissor, pois, graças a assinatura de um contrato que envolve a Fundação do Banco do Brasil,a Cooperativa Agro-Florestal Sustentável de Produtores Rurais do Estado de Rondônia-COOPASPRO, na área de abrangência dos projetos de assentamento Jorge Teixeira e Capitão Silvio de Farias, uma área que, atualmente, está sendo impactada pelas duas usinas do chamado Complexo do Madeira, Santo Antônio e Jirau, com o apoio do Instituto Curupira serão plantadas em um futuro bem próximo, 160 mil arvores de Teca pelo convenio,num valor total de R$ 506.950,00, em conjunto com mais 220.000 arvores de Paricá (a partir do viveiro do Instituto Curupira) e pelo menos 10.000 de castanheiras (com mudas já cultivadas em Guajara), e melhor, com a parceria e o desenvolvimento de pesquias pela Embrapa. Na correção do solo serão utilizadas 500 toneladas de calcário e 35 toneladas de fosfato ( uns 13 bitrens para o transporte) e serão contratadas 1600 horas de maquina. O paricá é grande novidade e opção. Com ele o pequeno produtor terá ganhos no curto, no médio e longo prazo, tendo a renda mensal que hoje ele não tem , e a aposentadoria que o governo não tem condições de dar na venda das árvores. É um novo impulso e uma nova historia na questão ambiental de Rondônia.
Fonte: Blog Diz Persivo
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