Quinta-feira, 19 de março de 2026 - 12h11

O que me inquieta na cultura
contemporânea não é a tensão entre o novo e o antigo. O antigo, afinal, guarda
o prestígio da permanência; mestres como Michelangelo buscavam nos padrões clássicos
a excelência que resiste ao tempo. Até os Beatles, outrora rebeldes, hoje são
cânone. A verdade é que o ser humano anseia pelo que é bom, e desejamos que a
beleza- assim como a vida -perdure.
No século passado, a arte
abraçou a rebeldia. A moda era o desmonte do tradicional. Houve mérito nisso:
uma geração revolucionou o mundo ao quebrar moldes. Contudo, o ímpeto da
ruptura esgotou-se em uma padronização irônica. De tanto quebrar padrões, tudo
se tornou pasteurizado. Hoje, navegamos em uma profusão de obras onde o
essencial-a qualidade- tornou-se um artigo de luxo.
A Moeda Ruim Expulsa a Boa
Sob o domínio da técnica, o
sucesso foi reduzido à métrica: o que é visto por muitos é o que vale. A arte
tornou-se escrava da atenção imediata, do capital e da transitoriedade. O
resultado é um deserto de opções; uma monotonia estética onde se reciclam
super-heróis, exaurem-se franquias até a indigestão e repetem-se fórmulas
virais para o TikTok.
Com o advento da Inteligência
Artificial, assistimos a uma poluição visual e auditiva de falsificações que
mimetizam a forma, mas carecem de espírito. Vivemos a Lei de Gresham
cultural: a produção em massa, vazia e barata, está expulsando a obra densa
e original.
A Ditadura do Algoritmo e a
Perda do Erro
A produção artística atual não
mira o humano, mas o algoritmo de recomendação. A "financeirização"
da arte eliminou o risco; e sem risco, não há vanguarda. As ferramentas
digitais, embora potentes, agem como corsetes:
Aquilo que historicamente dava
personalidade e humanidade à obra - o erro, a hesitação, a marca da mão- está
sendo varrido em nome de um conforto digestivo. A técnica silenciou a alma. O
que deveria ser um grito de expressão tornou-se um sussurro de conveniência.
O Resgate da Potência Vital
O desafio não é negar a
tecnologia, mas subvertê-la. Precisamos resgatar a alma da criação para além da
técnica instrumental. Criar, hoje, é um ato de resistência que exige:
1. O
cultivo do inútil: Espaços para a contemplação sem finalidade
comercial.
2. A
celebração do imprevisível: Permitir que o erro humano guie o
processo.
3. A
busca pelo genuíno: Valorizar a estética que provoca desconforto
em vez do entorpecimento.
A arte deve voltar a ser um
ato de liberdade que desafia a homogeneização. Contra a padronização imposta
pela técnica, urge fazer ecoar novamente a potência vital da alma criativa. Que
a criação deixe de ser um sussurro de conveniência para ser, novamente, um
grito de existência. Que, como brasileiros que somos, autofágicos e
macunaímicos, usemos a técnica a favor da qualidade e dos valores clássicos,
atemporais.
(*) É economista, escritor e
poeta.
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