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Vinício Carrilho

A Síria caiu: A Primavera Árabe não chegou ao inverno


As experiências de coletivização das demandas democráticas, conhecidas como Primavera Árabe, tiveram um início de verdade na Tunísia e no Egito. Mas, depois disso, com a participação cada vez maior de forças militares americanas, o movimento perdeu toda legitimidade. A Líbia, ainda que não trouxesse simpatia a ninguém, foi um exemplo drástico da manipulação política em nome da Primavera Árabe e que resultou na morte do ditador Kadafi.

Boa parte dessa manipulação esconde os reais interesses estratégicos, como petróleo e controle logístico-militar da região. O que havia restado do movimento social tem ruído diante do avanço das forças econômicas do Império. A bola da vez é a Síria.

Além dos interesses econômicos e militares, os fatos recentes na Síria lembram a Líbia: defenestração do governante e massacre das antigas elites que antes serviam fielmente aos EUA. Nas ofensivas militares, a ação decisiva de forças armadas de mercenários é a ponta de lança das invasões e das conquistas militares.

Os mercenários recrutados para lutar contra as forças dos ditadores árabes são altamente profissionais e letais. São vários grupos envolvidos, mas destaca-se a empresa Blackwater. Para ficar em poucas referências, basta lembrar que esta empresa patrocinou os atos de maior violência conhecidos na Guerra do Iraque. A Blackwater ainda recrutou mercenários no Chile, soldados treinados pela ditadura de Pinochet: a mais mortífera da América Latina.

No Brasil, a Blackwater tem bases em reservas indígenas na Amazônia e em plataformas de petróleo administradas pela empresa Halliburton. Quem autorizou a entrada e a presença da Blackwater no Brasil? Até o governo do Afeganistão, outro ocupado pelos interesses do Império, proibiu a presença da empresa; mas, no Brasil, avançam pelo território.

A mesma empresa que serviu à ocupação do Iraque, sob o governo de Bush, serve agora ao presidente Obama. A Blackwater conseguiu o que ninguém imaginaria ser possível, uma autorização especial para matar sem responder judicialmente. Seus atos de terrorismo não podem ser julgados como crimes de guerra, graças ao salvo conduto ganho do governo dos EUA – que também não respeitam o direito internacional.

Os membros mais ativos na direção da empresa pertencem à Soberana Ordem Militar de Malta – uma organização militar/religiosa fundada no século XI para proteger o Ocidente contra os muçulmanos.

Os ídolos dos fundadores da Blackwater são mercenários que atuaram na Independência dos EUA: Von Steuben, o general Lafayette, Rochambeau e Kosciuszko – com monumentos prestados defronte à Casa Branca.

Não é curioso que ídolos militares americanos sejam mercenários e tenham estátuas postadas à frente da Casa Branca?

Não é irregular que a liberdade, a democracia e dos direitos humanos tenham de ser defendidos por mercenários?

Não é triste que a Primavera Árabe só conheça o frescor do inverno político?

Não é preocupante que a Blackwater tenha bases na Amazônia, como demonstração de força imperialista?

Vinício Carrilho Martinez - Professor Adjunto II (Dr.)
Universidade Federal de Rondônia
Departamento de Ciências Jurídicas

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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