Terça-feira, 18 de dezembro de 2012 - 06h01
O título empresta uma frase de usuário de crack [1] e expressa o resultado do futebol internacional (Corinthians 1 X Chelsea 0), além de trazer dois componentes da cultura brasileira: primeiro, a fixação das atenções nacionais pelo futebol; segundo, a realidade da maior torcida brasileira e o preconceito, a discriminação contra o povo pobre. O título não é invenção minha e realmente revela que uma das maiores torcidas do país não esconde suas origens. Contudo, a forma como é tratada pelo Estado e pelos demais torcedores que não se enquadram nesta classe social, e
sclarece o desprezo que se formou há séculos no país contra os pobres, os trabalhadores, os marginalizados, os criminalizados.
O título ainda revela que os marginalizados pela sociedade, que vivem nas margens das relações sociais autorizadas pelo capital, também são marginalizados pela lei. Os desempregados, de forma geral, são mal vistos, sempre suspeitos, ameaçados de exclusão jurídica. De certo modo, os mais pobres acabaram identificando-se com este clube porque durante décadas o time não ganhou nenhum título. A história de privação de vitórias importantes relacionava-se com o sofrimento, a pilhéria, os maus tratos reservados ao povo.
É como se o sofrimento de ambos encontrassem um nexo no paralelo social, como se ambos caminhassem pela linha do destino rumo ao encontro com a má sorte, com a sina de sofredor. Somente de algum tempo para cá, e o leitor vai se lembrar disso, é que o brasileiro deixou de se identificar como “sofredor”. Em jogada de brilhante marketing social, o brasileiro como trabalhador, sofredor passou à posição de “povo que não desiste nunca”. É fácil ver que só não desiste nunca aquele que também sofre muito; contudo, agora se valoriza o positivo na relação com a vida social.
Não é preciso ser adorador do futebol para avaliar sua relação social. Não é preciso ser fanático para fazer análise social. Nunca vou torcer a favor desse clube, mas sempre estarei ao lado do seu torcedor: o povo pobre.
Vinício Carrilho Martinez
Professor Adjunto II da Universidade Federal de Rondônia
Departamento de Ciências Jurídicas
Doutor pela Universidade de São Paulo
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O título é óbvio demais, é a obviedade ululante de Nelson Rodrigues. Por isso vou gastar pouquíssima tinta com esse caso. Fiquei t

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