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Mortos em protestos na Líbia já chegam a 173, diz ONG



Da BBC Brasil

Agência Brasil, Brasília - Pelo menos 173 pessoas já morreram em consequência da violência na Líbia desde o início dos protestos contra o governo, na quarta-feira (16), segundo a contabilização feita neste domingo pela ONG internacional Human Rights Watch.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos, o número inclui dezenas de pessoas mortas no sábado (19) após as forças de segurança terem disparado com armas pesadas contra os manifestantes concentrados em Benghazi, a segunda maior cidade do país.

Milhares de pessoas vêm protestando nos últimos dias no leste do país contra o governo do coronel Muammar Khadafi, no poder há 42 anos.

As informações sobre os protestos na Líbia são de difícil confirmação, já que o país restringe a atividade de jornalistas estrangeiros.

O controle do governo sobre as informações e sobre a internet dificulta a confirmação dos relatos das testemunhas em Benghazi.

A Líbia é um dos vários países árabes ou muçulmanos a enfrentar protestos pró-democracia desde os levantes populares que levaram à queda do presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro.

Desde então, os protestos populares também forçaram a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, no dia 11 de fevereiro.

Testemunhas dos protestos deste sábado em Benghazi disseram à BBC que franco-atiradores atiraram nos manifestantes de prédios, enquanto parte das pessoas lutava com outros membros das forças de segurança no chão.

De acordo com o correspondente da BBC no Oriente Médio Jon Leyne, outras testemunhas dizem que um dos principais quartéis das forças de segurança foi tomado pela oposição.

Horas antes, pessoas que estavam no local disseram que uma força de elite do governo, com muitos franco-atiradores aparentemente estrangeiros, atiraram nos manifestantes. Eles estariam usando armas de fogo e morteiros contra os grupos de oposição.

Segundo Leyne, até agora os protestos se concentram na região leste do país. Benghazi, que fica a cerca de 1.000 quilômetros da capital, é o maior foco de protestos contra o governo.

"Qualquer protesto na capital, Trípoli, seria um grande desafio para o governo do coronel Khadafi. Esta já é a oposição mais forte que ele enfrentou em mais de quatro décadas de poder", disse o correspondente.

Os relatos da situação na Líbia são vagos e esporádicos, depois que o governo passou a controlar o acesso à internet.

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