Terça-feira, 2 de janeiro de 2024 - 11h05
Não à toa,
o primeiro dia do ano é dedicado à paz. É um desejo unânime! O branco
predominou e o Papa fez uma mensagem dedicada ao tema. Este ano escolheu falar
sobre a IA- Inteligência Artificial. Confesso que fiquei surpreso, pois
esperava, com as intermináveis guerras na Ucrânia, Faixa de Gaza e Síria, que
toda a mensagem fosse mais um veemente apelo do Santo Padre pelo fim dos
conflitos!
Mas, para o
bem da verdade, Papa Francisco tem repetido este apelo quase diariamente.
Infelizmente, são poucos os líderes que insistem como ele, mostrando-se
verdadeiramente preocupados, intimamente ligados ao sofrimento de tantas
pessoas inocentes. O fato é que nos acostumamos com as guerras e elas já não
estão mais nas capas dos jornais, nas manchetes dos sites. Não nos chocam mais
os destroços e vidas perdidas.
Em sua
mensagem pela paz de 2024, Papa Francisco, então, não só olhou para as mazelas
atuais, mas também para o que pode gerar conflitos futuros. Assim, defendeu que
o progresso digital se verifique no respeito pela justiça e contribua para a
causa da paz: “Os avanços tecnológicos que não conduzem a uma melhoria da
qualidade de vida da humanidade inteira, mas pelo contrário agravam as
desigualdades e os conflitos, nunca poderão ser considerados um verdadeiro progresso."
O desejo de
Francisco é de que “o rápido desenvolvimento de formas de inteligência
artificial não aumente as já demasiadas desigualdades e injustiças presentes no
mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas
formas de sofrimento que afligem a família humana."
Todos
desejamos a paz, mas, às vezes, nos esquecemos que ela não chega sem a justiça.
O Salmo 84 (85), no versículo 11, diz essa verdade de forma poética:
“...justiça e paz se abraçarão.” Assim, a paz não é fruto do acaso ou da sorte,
magicamente, nos alcançando. Precisa ser construída abandonando o recurso da
violência, perdoando o próximo que, como a gente, não é perfeito, e se
importando com o outro, na partilha e solidariedade.
Gosto
daquela música antiga, “Marcas do que se foi”: “este ano, quero paz no meu
coração, quem quiser ter um amigo, que me dê a mão!” A paz começa com esse
desejo sincero, e é construída a partir de atos concretos, dia após dia.
Em 2024, desejo paz – shalom, salam,
myr, mir, peace – para todos!
*Osvaldo
Luiz Silva é jornalista, trabalha há 32 anos na
Canção Nova e escreveu o livro “A Vida é Caminhar”, que relata fatos da década
de 1970 da vida do padre Jonas Abib.
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