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Vinício Carrilho

O que é racismo?


O que é racismo? - Gente de Opinião

Detesto racistas, bem como entendo que em todo racista há um pé (ou dois) no Fascismo. Todo racista é virtualmente nazista e basta seguir a história pra saber disso.

Então, o que é o racismo?

Começarei com o que é dito e feito para "parecer que não é".

Em todo caso, é importante destacar que o racismo é a manifestação de pessoas (racistas) a fim de excluir a humanidade de outras pessoas.

É ação deliberada em provocar indignidade a outrem, em razão de sua origem ou determinação racial.

É a substância encontrada em supremacistas.

Há Estados que também confundem soberania com supremacia, como foi o Estado Nazista.

Ainda é preciso ressaltar que, se o racismo tem origem e é consequência de ações racistas, podemos intuir que termos neutros não existem - a não ser como ideologia, mistificação, falsificação ou hipocrisia de quem procura esconder seu racismo em "outras palavras".

Realmente, não suporto indivíduos assim. Esses indivíduos que querem nos confundir entre racismo e injúria racial, por exemplo. Como se injuriar, ofender outrem com disparate racial não fosse a excelência da prática de racismo.

Então, também já adianto que para mim não há diferenças substanciais entre racismo ou molestação racial: racismo é racismo.

Nessa tentativa de degradação do termo e das práticas racistas, a tal injúria poderia ser assim simplificada: um tipo de indisposição racial. Como se um indivíduo se indispusesse contra outro por causa de sua origem ou condição racial.

Aqui aproveito para dizer que não há nada mais racista do que a expressão "raça". Isso deveria ter sido abolido da Constituição há décadas.

Indo à frente, podemos pensar que certos indivíduos se indispõem com a "presença racial diversa" porque lhes provoca uma intolerância, como se fosse um mal-estar agudo.

Por isso, não uso termos neutros. Não há neutralidade no racismo e muito menos contra sua existência.

Aliás, nessa lógica do revisionismo (reformista) há tendência a se "naturalizar" o próprio racismo: o racismo vira mera injúria (à espera de desagravo), porque é natural haver indisposição com algo ou alguém. No fim, trata-se de uma indisposição que não ultrapassa a casa da intolerância.

Comparativamente a uma intolerância à lactose. E aqui é fácil resolver, substituindo-se um produto por outro.

Na injúria provocada pela intolerância racial ocorre o mesmo, pois substitui-se um por outro, retirando-se "o que" (quem) gera indisposição, da prateleira social.

Retira-se o negro, o não-branco, que "causa" indisposição nos brancos.

No racismo, que causa indisposição social, a causa permanece: a supremacia branca; na indisposição à convivência com o "não-branco", ou seja, racismo, o não-branco é que é tido como causa - e não o branco causador do racismo.

Portanto, não pode haver tolerância, disposição à neutralidade diante dos atos e fatos do mundo da vida.

Não há outra educação que combata o racismo senão aquela que chame o racismo de racismo, o racista de racista.

Nenhuma decisão ou  sentença regulatória da consciência irá abdicar do enfrentamento ao racismo, a não ser que se troque a ação direta de combate ao racismo por qualquer forma de abstinência ou neutralidade linguística. Isto é, se realmente formos merecedores do raciocínio lógico-dedutivo, aquele que deve embasar o Princípio da formação da livre convicção, todos nós seguiremos no combate ao racismo.

Em nossa potência de racionalidade, a lógica não pode faltar. Tanto quanto o "racismo subjetivo", travestido de "intolerância racista", não pode ter força social para "naturalizar" a escravidão como simples consequência de uma "vida rústica".

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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