Sexta-feira, 18 de novembro de 2022 - 16h34
Sabemos que não se tolera a intolerância, diz-se NÃO a quem só diz sim aos próprios interesses, por mais obscuros que possam ser. Então, tolerância é princípio e ação: afirmativa e negativa. Afirma-se o que se deve tolerar, o Bom Senso, a Ciência, a Educação Pública com sentido libertário, reflexivo e crítico; nega-se, sendo-se tolerante, a intolerância de quem prega o ódio, o racismo, os golpes institucionais, o desmatamento.
Nega-se, em ação concreta, politicamente, socialmente, culturalmente, sob o Princípio da Tolerância, quem nega a existência da Dor do Outro, exalada pela fome, miséria humana e social, pelo descalabro da divisão de classes sociais, exatamente por tudo isso reverberar a total insuficiência de sociabilidade, interação e inteligência social. Ou seja, devemos ser absolutamente intolerantes com tudo e todos os incapazes da empatia.
Devemos ser intolerantes com a antipatia de quem prega o racismo, o capacitismo, a misoginia, o elitismo, a segregação, a desigualdade e o preconceito. Devemos ser tolerantes com as diferenças, acomodando-as em torno de algo em comum, um nicho agregador com vistas a ideias e ideais que possam ser compartilhados sem distinções de gênero, classe, cor, origem, nível de escolaridade.
A Educação para a Tolerância, portanto, tem duas missões: solidificar o princípio e a práxis da tolerância – observando-se seus elementos de formação/ação – e solapar todas as investidas intolerantes contra a própria tolerância. É uma educação do SIM (para quem já é tolerante) e do NÃO a todos e todas que promulgam de qualquer noção limitada às perspectivas segregacionistas, supremacistas, excludentes e aniquiladoras dos tolerantes.
Não é, portanto, de forma alguma, uma Educação (práxis) inofensiva, idealista, metafísica, muito menos será neutra, no sentido de que sua práxis é ontológica – por exemplo, nos julgamentos de Nuremberg e de Haia – e é teleológica: mira-se tanto a fabricação social de meios e de “valores-guia” quanto a restauração e/ou manutenção dos suportes sociais, institucionais, jurídicos e políticos, que, notadamente, preservem os marcos da tolerância.
Temos isso exemplificado no Pacto de San José, na Declaração de Princípios sobre a Tolerância, da UNESCO , na Constituição Federal de 1988 – no seu Preâmbulo, no art. 1º, III, arts. 3º e 4º. O que nos falta é a prática social, com essa engrenagem em ação, com os valores passando à condição de hábito. Enquanto povo – com toda nossa estrutura social, institucional, estatal –, poucas vezes soubemos o que é “harmonia na diferença” (tolerância) e “unidade na diversidade” (Direitos Humanos). Temos outra chance histórica, a partir de agora, para mudarmos o rumo da nossa prosa social e cultural – a saber o que faremos.
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