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Francisco Aroldo

Sinais de tendência ao isolamento turístico


Sinais de tendência ao isolamento turístico - Gente de Opinião

A construção do atual mundo globalizado, onde o fluxo humano e comercial de produtos e de serviços, em especial esses de tecnologias e da indústria cultural e do turismo, dá sinais de possibilidade de uma nova inflexão na curva aberta e acentuada.

 

O mapa mundial globalizado começou a ser construído entre os períodos de necessárias reconstruções da Europa e outros países orientais, como o Japão, depois das duas guerras mundiais e com a criação de uma organização supranacional, a ONU que curiosamente tem sede na América do Norte. 

 

Então, na verdade esse conceito de globalização veio a luz saindo das reuniões de cúpulas do poder econômico, político e militar para o círculo das academias nas décadas de 80 e de 90 e há vinte anos todas as crianças com mais de 10 anos já sabem o que significa.

 

Com as pandemias de vírus, como essa atualmente, do coronavírus estamos talvez conhecendo uma nova tendência que pode ser a contramão de tanta liberdade de ir e vir pelo planeta, ao menos como foi até janeiro de 2020.

 

A pandemia mundial do COVID-19 fez todas as nações do globo correr atrás de milhares de prejuízos de planejamento, coordenação e controle relacionados com a saúde pública e privada, onde um minúsculo ser, por meio de seus hospedeiros viajantes multinacionais e multiculturais aproveitou-se do sistema de transporte aéreo, naval e rodoviário, infectando até essa semana um total de mais de 127 milhões de humanos.

 

A mobilidade do cidadão globalizado buscando o turismo, o trabalho, o conhecimento, a fé, negócios de toda sorte, amores, paixões, pesquisas, divertimento e outras emoções dá o tom do contágio.

 

Ora, vejamos aqui, neste pequeno e despretensioso artigo, apenas uma idéia, um caso; o caso da Austrália e seu novo modo de vida para talvez podermos vislumbrar uma possível necessidade de mudança desses hábitos atuais que foram construídos em mais de cinco décadas sob o manto da liberdade individual, do conhecimento de tudo e da produtividade e da qualidade total em produtos e serviços para o bem da humanidade.

 

A Austrália é uma federação de seis estados, três territórios continentais e seis territórios adicionais (sete contando com o Território Antártico Australiano). O continente australiano é formado por cinco dos seis estados federados e três dos territórios federais (os territórios "internos") com um total de 7 milhões e seiscentos e noventa e dois mil quilômetros quadrados, metade de sua geografia é tropical mas o país é uma enorme ilha autônoma para os seus 26 milhões de habitantes. Um paraíso maravilhoso no oceano Índico, sem a chatice de vizinhos pobres querendo invadir seus territórios, sem uma floresta que todos querem gerenciar e sem vizinhos produtores e distribuidores de entorpecentes e muambas e quinquilharias diversas que tiram o sono de governantes e da polícia.

Vamos olhar bem para a Austrália.

 

No jornal O Correio do Povo saiu dia 23 de março do corrente uma matéria que diz o seguinte: (... O setor de artes da Austrália está lentamente se recuperando dos impactos da Covid-19, com produções ao vivo começando novamente em diversas cidades do país... Desde o início da questão sanitária, medidas de restrição, controle fronteiriço, monitoramento de casos e união política contribuíram para o índice de apenas 909 mortes. Enquanto isso, o Brasil ultrapassou um novo recorde no país: foram 3.158 óbitos, totalizando 298.843 vidas perdidas.); no blog do Canal Rural em agosto de 2019, portanto antes da pandemia, podemos ler um doce comparativo entre eles e nós (Brasil) assim: ( ... Austrália, O Brasil que deu certo... " Brasil e Austrália são nações novas, localizadas no hemisfério sul e descobertas no mesmo período, na chamada  “Era dos Descobrimentos”. O Brasil foi encontrado pelos portugueses em 1.500 e a Austrália pelos holandeses em 1.606. Os portugueses se apossaram do novo território e os holandeses não. Posteriormente (1.770), a posse e a colonização da Austrália foi reivindicada pelos ingleses e hoje ela é parte da Comunidade Britânica. Pela lógica, seria pertinente esperar que os dois países evoluíssem simultaneamente, pois ambos têm similaridades quanto à idade do descobrimento, ao tamanho do território e à abundância de recursos naturais. Na verdade, o potencial do Brasil quanto ao aproveitamento do solo para atividades agrícolas é muito superior ao da Austrália, embora a Austrália leve vantagens nas riquezas minerais.


Mas, conforme indicam os índices de desenvolvimento de ambos países, a Austrália aproveitou melhor as oportunidades, se desenvolveu rapidamente e hoje integra o seleto grupo das nações desenvolvidas. Ostenta o 2º maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Planeta e um PIB/capita superior ao do Reino Unido, da França, da Alemanha, do Canadá ou do Japão. Sua economia teve crescimento médio de 3,6% ao ano nas décadas de 1990 e 2000, ante 2,5% da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Foi o único membro desta Comunidade que não teve recessão na crise financeira de 2008/09 e ostenta o recorde mundial de 27 anos sem recessão (1991 a 2018).

O trem da prosperidade que passou pela Austrália também passou pelo Brasil. A diferença está no aproveitamento das oportunidades feito por ambos os países. O território australiano é um pouco menor que o do Brasil e a população deles é 8,5 vezes menor. A taxa de natalidade dos australianos é baixa e o país precisa de imigrantes para ocupar e desenvolver tão vasto território. Sua taxa de desemprego é inferior a 6% e a renda média anual é das mais altas do Planeta: cerca de US$ 54 mil/pessoa. " (...)

Por favor, para não perder o sentido do título proposto nesse artigo, anota ai essa informação de fevereiro de 2021 que diz que a Austrália tem mantido as suas fronteiras internacionais fechadas desde março de 2020 e só permite a entrada dos seus residentes e cidadãos, alguns dos seus familiares mais próximos, diplomatas e outras exceções.

As autoridades australianas anunciaram no final de fevereiro que vão disponibilizar 20 vôoos charter para repatriar alguns dos mais de 30 mil residentes e cidadãos australianos no estrangeiro, depois de a companhia aérea Emirates ter anunciado que iria suspender os voos para Melbourne, Sidney e Brisbane. Qualquer pessoa que entre no país está sujeita a uma quarentena obrigatória de 14 dias.

 

Talvez seja por essas e outras razões em negrito que destaquei no oitavo parágrafo que eles já estão retomando suas vidas, mas entre eles, na ilha deles sem o entrelaçamento social globalizado que tantas pessoas amam planeta afora.

 

Graça e paz.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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