Terça-feira, 15 de setembro de 2009 - 16h37
Os políticos rondonienses se tornaram tão competitivos quanto à paternidade de obras e ações políticas que inovaram nas brigas locais, criando a “culpa por antecipação”. O governador Ivo Cassol (PP) e o senador Expedito Júnior (PR) garantem: se a PEC da Transposição não for aprovada neste dia 16 no Congresso Nacional, será culpa dos petistas e peemedebistas. Clique e ouça trecho da entrevista do senador Expedito Jr. no programa A Hora do Povo.
Já, as entidades sindicais ligadas aos petistas lançaram nota responsabilizando antecipadamente o governador Ivo Cassol e o senador Expedito, caso a transposição dos servidores rondonienses não seja aprovada para o quadro federal. A coisa nem foi votada e preventivamente os adversários, em caso da rejeição da matéria, já tratam de livrar o couro.
Ainda na década de 90 a construção de pontes, de estradas e hospitais – que sequer saíram do papel – era alvo de renhida disputa de paternidade entre senadores e deputados federais.
Nesta década as disputas pela autoria aumentaram chegando a provocar uma guerra de mídia entre o governo do estado de Rondônia e a prefeitura de Porto Velho pela autoria das obras do PAC no estado – saneamento básico, água e esgoto – acirrando ainda mais as rivalidades tribais.
Também existe até comemoração para o que, um político, mais cauteloso não festejaria: no final de semana o vice-governador João Cahulla foi a localidade de Extrema, distante 350 quilômetros da capital rondoniense, para festejar em público a decisão do TSE autorizando a realização de um plebiscito para emancipar a Ponta do Abunã de Porto Velho. Também senadores e deputados da oposição comemoraram o “feito” em notas à imprensa, mesmo sabendo pelo TRE que isso (a consulta plebiscitária) não será possível em 2010 e que a criação do município de Extrema (mesmo com o plebiscito) ainda esta longe de acontecer por depender ainda de definições do Congresso.
Depois de fitas gravadas para comprometer adversários, e de golpes baixos para todos os lados (da situação e da oposição), os políticos rondonienses já atiram responsabilidades para os adversários por antecipação – e de forma preventiva.
Para facilitar as coisas para a classe política, eu já vou me perguntando, caro leitor, de quem será a culpa se as prometidas pontes do Rio Madeira não saírem do papel de novo? Se o Centro Administrativo não for concluído? Caso as obras do PAC fiquem pela metade? Na eventualidade do Hospital de Cacoal der xabu?
Enfim, imaginem meus caros, durante as eleições do ano que vem como serão as coisas....
(Carlos Sperança)
Localidades rondonienses sonham com a autonomia
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