Quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 - 21h04
MONTEZUMA CRUZ
Na floresta da Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto, em Guajará-Mirim, seu Napoleão Rodrigues é líder de um grupo de 12 famílias que vivem no lugar com o sugestivo nome de Paz e Amor – Comunidade Nossa Senhora do Seringueiro
Ali, a companheira dele, dona Francisca Augusta Rodrigues, fabrica sabonetes, farinhas e óleos.
A foto pode sair em preto e branco, mas o leitor poderá imaginar a beleza desses frascos com óleo e o colorido dos sabonetes, um mais bonito que o outro.
Não importa se naqueles confins eles não tenham a freguesia esperada; o importante é que produzem até mesmo durante o inverno amazônico, quando as águas sobem e vão se espalhando até o quintal das casas.
Napoleão e Francisca cultivam dez hectares com arroz, mandioca, banana e café. Criam galinha caipira, patos e produzem farinha de mandioca. Também colhem um pouco de castanha e mantêm um viveiro com mudas de jatobá, cujo plantio em capoeiras (áreas já desmatadas) foi iniciado em 2009, e mil pés de cupuaçu.
Os dois produzem ainda o próprio combustível para movimentar a mini-usina de extração de óleo e geração de energia elétrica, utilizando a técnica de produção da folha defumada líquida.
Ali naquela humilde casa de caboclo, construída com madeira da própria floresta – mara e marupá – a gente nota a diferença entre a cidade e a floresta. As madeiras são usadas em paredes e no assoalho, sem passar pela serraria. Tudo artesanal. É um pedaço da Rondônia desconhecida.
Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.
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