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Montezuma Cruz

Camponeses escapam de outro atentado em Buritis


 
LCP atribui a fazendeiro o ataque ao acampamento Rio Alto, a 25 quilômetros de Buritis. Homens armados intimidam passageiros do ônibus da linha. Famílias querem ação enérgica da polícia.

EPAMINONDAS HENK
Agência Amazônia 

ARIQUEMES, RO – Um grupo de camponeses embrenhou-se no mato para escapar de mais uma saraivada de balas disparadas por jagunços, no final da semana passada, no Acampamento Rio Alto, a 25 quilômetros da sede do município de Buritis. A denúncia foi feita nesta quinta-feira pela Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e da Amazônia Ocidental (LCP). 

De acordo com a LCP, “o próprio delegado de polícia de Buritis relatou para o juiz de Direito que existem pistoleiros armados na região, mas nenhuma providência foi tomada”. O derradeiro ataque ocorreu no sábado, 14, quando uma camionete Toyota, supostamente pertencente ao fazendeiro Edilson Cadalto, levou sete pistoleiros à área do acampamento. 

Armados, eles cercaram dois coordenadores na estrada. “Os camponeses caíram da moto e escaparam da emboscada correndo para o mato. Os jagunços ainda tentaram acertá-los com rajadas de submetralhadora e tiros de pistola automática. Em seguida rasgaram o banco da moto e tentaram atear fogo”, relata a LCP. 

Intimidação dentro do ônibus 

 Camponeses escapam de outro atentado em Buritis  - Gente de Opinião

No despejo em julho deste ano, barracos, pertences e até alimentos foram destruídos /DIVULGAÇÃO

Acampados já se queixaram à polícia de que o bando armado costuma entrar no ônibus da linha para ameaçar os passageiros. “Pode haver uma tragédia, se alguém reagir contra eles”, comentou um camponês. Segundo o seu relato, o banco ameaça incendiar uma pequena Igreja onde eles se reúnem. 

Fora disso, o clima permanece tenso na região de Buritis. As denúncias se sucedem. Famílias de camponeses e de sitiantes foram ameaçadas também com disparos de armas nas proximidades a Rio Alto. “Isso acontece toda noite, e é para intimidar mesmo”, lamentou o mesmo camponês. 

Ainda conforme a LCP, Edilson Cadalto “se diz dono da Fazenda Ubirajara onde está o acampamento. Os camponeses disseram ter ouvido que ele planeja destruir o acampamento e “mandar matar o advogado dos camponeses”. A Liga conclamou hoje “todos movimentos e pessoas democráticas” para denunciar os crimes e para cobrar do Incra a imediata distribuição das terras na região. 

Em julho, despejo violento 

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), que enviou representantes à região, lembrou em nota que no dia 12 de julho, Cadalto obteve o respaldo da Polícia Militar em Buritis para levar pelo menos 20 homens armados ao acampamento, de onde expulsou 120 famílias. 

Um camponês foi atingido com tiro nas costas e outros sofreram espancamentos e humilhações. Os jagunços queimaram barracos, pertences das famílias e até alimentos. 

A operação para apreensão de armas no local frustrou policiais e o próprio fazendeiro, porque nada foi encontrado. “Tudo isso ocorreu sem mandato judicial”, afirmou o Cebraspo. Os mesmos policiais foram vistos numa escolta de madeira ilegal que teria sido negociada por R$ 1,5 milhão com a família Correia do vice-prefeito de Buritis. 


 Fonte: Montezuma Cruz - A Agência Amazônia  é parceira do Gentedeopinião

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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