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Samuel Castiel Jr

Grandes carnavais em Porto Velho


Grandes carnavais em Porto Velho - Gente de Opinião

O cheiro do lança perfume exalava e podíamos sentir aquele aroma a distância dos clubes. O som das bandas musicais com os sopros dos metais também se podia ouvir ao longe. Confetes e serpentinas completavam aqueles ambientes carnavalescos. As fantasias realçavam o glamour dos bailes de carnaval.  Tudo era mágico naquelas noites!  Após assistir aos desfiles de rua dos blocos e escolas de samba, a pedida era ir aos bailes tradicionais nos Clubes: Bancrevea Clube, Danúbio Azul Bailante Clube, Ypiranga Esporte Clube, Ferroviário Esporte Clube, Flamengo Esporte Clube, Internacional Esporte Clube e Imperial Esporte Clube que ficava ba Rua Jose de Alencar com a Almirante Barroso. O chamado " Cai N'água " era um clube que ficava as margens do Rio Madeira e, quase sempre, as confusões e brigas acabavam com os foliões dentro das águas barrentas do rio. Foi nesse local que funcionou muitos anos a sede de Danúbio Azul Bailante Clube, até que o Prefeito Raphael Jayme Castiel mandou construir e doou para o Danúbio Azul a sua nova sede, onde funcionou até seus últimos dias.

Na rua tínhamos o desfiles e competições individuais e de blocos. Entre os individuais concorriam na categoria originalidade Valdemar Cachorro, Priquito e Inácio Campos, grandes foliões de rua. Além desses tínhamos outros como o Fi Fi Canduri e o Moraes do Correio que desde dezembro saía pelas ruas soprando um clarin que abria o Carnaval, tocando sempre o refrão:" O tocador Quer Beber...

O Valdemar Cachorro (Valdemar Holanda Pinto) vinha sempre com uma cobra enrolada no pescoço; O Inacio Campos concorria com o Sputinik; o Bloco Infantil era O Triângulo não Morreu comandado pelo Periquito (Antônio Bispo de Holanda)

O Chicão da Dona Dadá era um folião solitário.

Na década de 70, surgiram vários novos carnavalescos como Asfaltão, Império do Samba, Bloco da Chuva, Bloco do Sol, Seka Buteco, Bloco 812, Bloco da Meia Noite, Bloco do Purgatório, Unidos da Castanheira, Armário Grande e Unidos da Radio Farol.

Ainda num passado mais distante tnhamos também vários outros blocos como o Bloco da Cobra, Bloco das 7 Gêmeas formado pelo Neocide, Gervásio, Coraci Bezerra, Milton e Clemildo, Sabasinho Correia e Pedrinho do Bar do Canto. Outros Carnavalescos e brincantes que não podem ser esquecidos:  Abiguar de Miranda e Dona Dedé pelo Ypiranga, Tario de Almeida Café, Norberto Pai do colega médico Jason, Tuchaua e família, seu Arlinho e Filhas, Clemildo do Basa (Presidente do Bancrevea e do Basa)

Reginaldo e Débora (Souza Cruz) Geraldo Siqueira (Imperial Clube)

Dos Reis Momos não podemos esquecer do Emil Gorayeb, Mourão e Ferreirão.  O Arauto do Rei era sempre o Ozires Lobo, que lia os Decretos assinados e estipulados pelo Rei.

As batalhas de confete aconteciam sempre na Praça Marechal Rondon, onde se reuniam os foliões que sobreviviam e vinham de vários Clubes, onde disputavam o Júlio César pelo Bancrevea e o Camarão pelo Ypiranga dançando frevo e aplaudidos por todos.

Os desfiles das escolas e blocos aconteciam na Av. Presidente Dutra e o Palanque ficava em frente a Associação Comercial.

Os Clube também formavam seus Blocos. Mas muitos deles se formavam aleatoriamente. Os Metralhas, por exemplo, era um bloco que surgira de forma aleatória. Sempre era acusado de se envolver em grandes confusões nos Clubes.

Lembro-me de uma cena silenciosa mas, de certa forma, constrangedora, que era no final de um  baile profano de Carnaval, saindo exausto de uma noite carnavalesca do Ferroviário e, voltando pra casa a pé,  deparei-me com um pelotão de recos do exército (5° BEC) com as camisetas enroladas nas mãos,  comandados pelo cabo Áureo, que gritava em voz alta: 123 e os recos respondiam uníssonos e ainda mais alto ainda: 456!

E subiam correndo a ladeira do Palácio Getúlio Vargas voltando pela outra rua (José de Alecar) pra subir de novo... E o relógio marcava ainda apenas 5 e meia de uma 4ª feira de cinzas!... Mas era muito bom, nunca me sentia exausto e muito menos constrangido!  Os recos eram atletas da corporação, eu era atleta do Carnaval.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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