Quarta-feira, 5 de março de 2025 - 15h51
O cheiro do lança perfume exalava e podíamos sentir
aquele aroma a distância dos clubes. O som das bandas musicais com os sopros
dos metais também se podia ouvir ao longe. Confetes e serpentinas completavam
aqueles ambientes carnavalescos. As fantasias realçavam o glamour dos bailes de
carnaval. Tudo era mágico naquelas
noites! Após assistir aos desfiles de
rua dos blocos e escolas de samba, a pedida era ir aos bailes tradicionais nos
Clubes: Bancrevea Clube, Danúbio Azul Bailante Clube, Ypiranga Esporte Clube,
Ferroviário Esporte Clube, Flamengo Esporte Clube, Internacional Esporte Clube
e Imperial Esporte Clube que ficava ba Rua Jose de Alencar com a Almirante
Barroso. O chamado " Cai N'água " era um clube que ficava as margens
do Rio Madeira e, quase sempre, as confusões e brigas acabavam com os foliões
dentro das águas barrentas do rio. Foi nesse local que funcionou muitos anos a
sede de Danúbio Azul Bailante Clube, até que o Prefeito Raphael Jayme Castiel
mandou construir e doou para o Danúbio Azul a sua nova sede, onde funcionou até
seus últimos dias.
Na rua
tínhamos o desfiles e competições individuais e de blocos. Entre os individuais
concorriam na categoria originalidade Valdemar Cachorro, Priquito e Inácio
Campos, grandes foliões de rua. Além desses tínhamos outros como o Fi Fi
Canduri e o Moraes do Correio que desde dezembro saía pelas ruas soprando um
clarin que abria o Carnaval, tocando sempre o refrão:" O tocador Quer
Beber...
O Valdemar Cachorro (Valdemar Holanda Pinto) vinha
sempre com uma cobra enrolada no pescoço; O Inacio Campos concorria com o
Sputinik; o Bloco Infantil era O Triângulo não Morreu comandado pelo Periquito
(Antônio Bispo de Holanda)
O Chicão da Dona Dadá era um folião solitário.
Na
década de 70, surgiram vários novos carnavalescos como Asfaltão, Império do
Samba, Bloco da Chuva, Bloco do Sol, Seka Buteco, Bloco 812, Bloco da Meia
Noite, Bloco do Purgatório, Unidos da Castanheira, Armário Grande e Unidos da
Radio Farol.
Ainda num
passado mais distante tnhamos também vários outros blocos como o Bloco da
Cobra, Bloco das 7 Gêmeas formado pelo Neocide, Gervásio, Coraci Bezerra,
Milton e Clemildo, Sabasinho Correia e Pedrinho do Bar do Canto. Outros
Carnavalescos e brincantes que não podem ser esquecidos: Abiguar de Miranda e Dona Dedé pelo Ypiranga,
Tario de Almeida Café, Norberto Pai do colega médico Jason, Tuchaua e família,
seu Arlinho e Filhas, Clemildo do Basa (Presidente do Bancrevea e do Basa)
Reginaldo e Débora (Souza Cruz) Geraldo Siqueira (Imperial
Clube)
Dos
Reis Momos não podemos esquecer do Emil Gorayeb, Mourão e Ferreirão. O Arauto do Rei era sempre o Ozires Lobo, que
lia os Decretos assinados e estipulados pelo Rei.
As
batalhas de confete aconteciam sempre na Praça Marechal Rondon, onde se reuniam
os foliões que sobreviviam e vinham de vários Clubes, onde disputavam o Júlio
César pelo Bancrevea e o Camarão pelo Ypiranga dançando frevo e aplaudidos por
todos.
Os
desfiles das escolas e blocos aconteciam na Av. Presidente Dutra e o Palanque
ficava em frente a Associação Comercial.
Os
Clube também formavam seus Blocos. Mas muitos deles se formavam aleatoriamente.
Os Metralhas, por exemplo, era um bloco que surgira de forma aleatória. Sempre
era acusado de se envolver em grandes confusões nos Clubes.
Lembro-me de uma cena silenciosa mas, de certa forma, constrangedora,
que era no final de um baile profano de
Carnaval, saindo exausto de uma noite carnavalesca do Ferroviário e, voltando
pra casa a pé, deparei-me com um pelotão
de recos do exército (5° BEC) com as camisetas enroladas nas mãos, comandados pelo cabo Áureo, que gritava em
voz alta: 123 e os recos respondiam uníssonos e ainda mais alto ainda: 456!
E subiam
correndo a ladeira do Palácio Getúlio Vargas voltando pela outra rua (José de
Alecar) pra subir de novo... E o relógio marcava ainda apenas 5 e meia de uma 4ª
feira de cinzas!... Mas era muito bom, nunca me sentia exausto e muito menos
constrangido! Os recos eram atletas da
corporação, eu era atleta do Carnaval.
Depois de uma quarentena cruel e monótona, o idoso já se encontra no seu limite físico e mental
A pescaria "Nunca se deve cutucar onça ( ou cobra ) com vara curta."
As águas frias e límpidas, como um espelho, refletiam as nuvens do céu e as frondosas arvores da mata verde. O barco rasgava essa supe
Ele era médico da imagem, mas também misófobo. Aliás, fez especialização em radiologia, depois fez ultra-sonografia e ressonância magnética, pois assi
O ESTRANGULAMENTO DA ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO
Quando o poeta brasileiro Olavo Bilac ( 1865-1918 ) escreveu seu soneto “Lingua Portuguesa”, no primeiro verso , ele diz “ Ultima flor do Lácio