Sexta-feira, 2 de setembro de 2022 - 15h55

1-Desplanejando
o futuro
Não
é fruto de esquerda ou direita, até muito pelo contrário. O Brasil de Paulo
Freire e seus apóstolos chegou à bifurcação e distante da ciência só temos duas
vias para andar com nossas muletas: o bacharelismo fruto de anos do desprezo
pelas ciências e o achismo tão em voga, reforçado nas e pelas mídias sociais,
onde cada um se tornou da noite para o dia com o apoio luxuoso do Google um “multiespecialista
em tudo”. Mas estaria eu sendo reducionista se visse tal tragédia como fenômeno
apenas brazuka. Entre os Brics, a Russia, China e Índia navegam na tecnologia
com desenvoltura apesar de conviverem com suas outras mazelas culturais,
políticas e religiosas. Mas nossa quizília é brazuka. Fizemos opções erráticas ao
nos aproximarmos de países pobres e subdesenvolvidos e acreditem, com uma panca
imperialista – que o diga nossos vizinhos andinos e o Paraguai – mas desenvolvendo
uma relação de subserviência com as grandes potências entregando minério de
ferro e recebendo dobradiças, pregos e parafusos. Mas como tudo que é ruim pode
piorar e até sem muito esforço, resolvemos deitar falação sobre o melhor
tratamento para as doenças, o melhor modelo econômico, as raízes da inflação, os
gêneros e até produção cultural com algo tipicamente brasileiro, o “funk
carioca”, apesar do nome. E dá-lhe Anita! De propostas mesmo só as dos
candidatos que nem falam mais em educação e sim em ajuda social, picanha e
cerveja olhadas com rigor pelos paladinos da democracia ensinada pelo
judiciário nas suas pregações e ativismos diários. Importa mesmo que tenhamos a
urna eletrônica tão genial e segura que nem precisa de aperfeiçoamento ou teste
de falibilidade. Tristeza! No celeiro do mundo milhões passam fome e tomam água
contaminada pelo esgoto jogado a céu aberto. A novidade de agora é o crime de
opinião, cópia brazuka do George Orwell que cria uma reserva de mercado para
quem erra e não paga. Ora, se a proposta é cerveja, bolsa governo, picanha se é
isso que importa por que o esmero para escrever ou saber aritmética? O mundo
corre para solucionar demandas, mas nós podemos esperar. Afinal somos o país do
futuro. Né não?
2-Cassol planejando o futuro

Cassol
é um animal político com memória de elefante, disfarce do urutau, esperteza do
macaco e a sutileza da sucuri. Passou 12 anos quieto e de repente surgiu como
se esse tempo tivesse parado. Cassol tem outra característica que vi quando o
desconhecido prefeito do interior chegou no dia da convenção do PSDB e com
apenas 2% de intenção de votos deu um nó em todo mundo, aceitou uma vice
decorativa que mal conhecia e ganhou o governo contra todas as forças políticas
do estado. O estilo de fazer campanha é insano e a história de que dorme tarde
e acorda cedo é pura verdade. Os marqueteiros ficam loucos, mas seu fiel
escudeiro Jari Luiz já se acostumou e aceita o ritmo sabendo que Ivo é o
marqueteiro dele mesmo. Esta semana Ivo desistiu da candidatura que havia
lançado há poucos dias. Contudo, o que para muitos pode parecer derrota para
mim é só mais um golpe do estrategista. Afastado da política e com uma
condenação na justiça sabia ser impossível participar da eleição como de fato se
deu. Ocorre que num curtíssimo espaço de tempo Ivo dominou a cena político,
mostrou que o comando do estado passa por ele, mostrou-se ao eleitor fiel que
acreditava e acredita nele e veio a revelação de que ele detém 30% dos votos de
Rondônia. É mais que suficiente para manter-se na crista da onda. Cassol com a
jogada apropria-se do discurso do injustiçado, um argumento fortíssimo se bem
explorado politicamente e prepara-se para a ousada cartada de reaparecer daqui
a 4 anos vitaminado , “soldado” e em condições de reassumir a candidatura ao
posto de governador com boas chances de vitória.
3-E
para onde vão os votos do Cassol?

Em Rondônia o fenômeno de transferência de votos
não existe e não será com Ivo Cassol que isso irá ocorrer, mas os 30% de votos
que ele tem – ele garante que é muito mais – estão por aí soltos e serão
predados pelos seus adversários já que ele se ausentou da peleja. É de se
imaginar que os maiores beneficiários serão o Léo do Podemos, Marcos Rogério e
Marcos Rocha, não necessariamente nesta ordem já que todos possuem perfil
bolsonarista. Por conta do fenômeno de não transferência de votos, creio que a
candidata Jaqueline Cassol pode sofrer maior impacto pela associação do
sobrenome na cabeça do eleitor. Assim como entrou na eleição bagunçando o
coreto, Cassol sai dela desorganizando os planos traçados pelos concorrentes.
Imaginem se isso ocorre em nível nacional se de repente um dos dois líderes das
pesquisas – Bolsonaro e Lula – desistissem da refrega e para onde os votos iriam.
Se estava difícil prever o resultado da eleição com o Narciso, o espelho mudou
de posição, mas a dúvida permanece e nem os adivinhos podem supor o que virá. É
como penso.
Contato
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