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Viviane Paes

Queer Eye Brasil mantém qualidade de produção e duplica emoção


Queer Eye Brasil mantém qualidade de produção e duplica emoção - Gente de Opinião

Tenho fama de ser sistemática e dura nas críticas. Fato! Mas, sou também reconhecida pela facilidade em reconhecer os erros. E, essa sou eu dando a “cara à tapa” depois de assistir os três primeiros episódios do reality show “Queer Eye Brasil”. Esse é um reboot de “Queer Eye for the straight Guy”, lançado de 2003 a 2007, com cinco temporadas que trazia cinco homens homossexuais, os FAB Five (cinco fabulosos) para usar suas diferentes habilidades nas áreas de vestuário, culinária e vinhos; arte e cultura, design de interiores, higiene pessoal e cabelo para ajudar um homem hétero a organizar a vida!

Desde 2018 quando foi lançado na Netflix, o programa trouxe uma abordagem mais ampla apresentando participantes LGBTQI+ e heterose para ampliar as discussões da nossa realidade mundial. O sucesso estrondoso levou a especiais na Austrália e no Japão.

No ano passado saiu o Queer Eye Alemanha. Muito bom atendendo a expectativa do original. Agora o Queer Eye Brasil é uma corrente emocional, já aviso! Somos brasileiros, emotivos por natureza com histórias de vidas iguais a todos ao redor do mundo. No entanto, quando se fala do aspecto demostrar sentimentos somos imbatíveis!

Mordendo a língua

Primeiro afirmei que a produtora no Brasil, responsável pelo programa iria formar o esquadrão dos cinco fabulosos brasileiros de personalidades já carimbadas na mídia. Errei - apesar de dois deles já terem apresentados programas em canais fechados, são desconhecidos da maioria que assistem a esses programas nos streaming.

Assisti a desempenho de Lucas Scarpelli, mineiro de Belo Horizonte; Yohan Nicolas – um francês radicalizado no País; Guto Requena, arquiteto e ex-colunista da Folha de São Paulo; Rico Benozatti – curador de uma exposição de roupa da Hebe Camargo e Fred Nicácio, um médico preto chorando do início ao final dos três episódios!

Confesso que sou chorona mesmo. As primeiras histórias são de aquecer os corações mais gelados: um pai solo de um casal de crianças, que perdeu a esposa para um câncer, uma assessora de imprensa redescobrindo a vida após uma dolorosa separação e uma mãe solo, de um filho trans dividindo uma pequena casa com a mãe idosa.

O que me comoveu demais nos primeiros minutos dos encontros com os casos escolhidos pela produção, sem conhecimento prévio dos fabulosos é a recepção calorosa entre as partes. Na versão americana o cumprimento é um abraço, mas sabemos com eles veem o contato físico como invasivo e íntimo demais. Ai chegam cinco representantes do LGBTQI+ tentando abraçar o participante... Uns recebem bem, minoria, outros bem desconfortáveis e outros se soltam no final do episódio. São cinco dias de contato diário entre fabulosos e participantes.

No Brasil isso não acontece. Precisamos ser abraçados, né! Então, o abraço do Rafael – viúvo que se esqueceu para cuidar dos filhos, em cada um dos fabulosos e tão sincero que aquece o coração na hora. Parecia que quem receberia as dicas de tudo eram os fabulosos! Que empatia, que cumplicidade e principalmente muito amor!

Depois das mortes provocadas pela pandemia da Covid-19, onde fomos impedidos de um simples aperto de mãos, de beijar, de abraçar e conviver pessoalmente com familiares, amigos e colegas de trabalho creio que foi essa possibilidade não desperdiçada e tão sincera que faz meus olhos lacrimejarem só de escrever essas linhas...

Não digo mais nada! Assistam, assistam!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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