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Marli Gonçalves

Os bobos das cortes


Os bobos das cortes - Gente de Opinião

O mundo caindo, e por aqui os bobos das cortes nacionais parecem não se dar conta da gravidade do momento e em inúmeros assuntos tanto no cenário interno como internacional. Resolveram brincar de guerrinhas, não só de falas, mas de bonés. Podemos dar outras ideias?

Qual é a graça, exatamente? Dia de eleição no Congresso Nacional, dos presidentes e mesas diretoras tanto do Senado como da Câmara. Nomes, agora definidos como Davi Alcolumbre (União Brasil- AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente, que serão fundamentais na agenda política e nas nossas vidas nos próximos anos, comandando as agendas ao bel-prazer. Nesse dia, uns apareceram com bonés, nas versões em amarelo e azul, com o óbvio dizer “O Brasil é dos Brasileiros” (ainda bem!!!); outros, de oposição do momento, digamos assim, chegam com o amarelinho na cabeça de quem quer o inelegível de volta “Comida barata novamente. Bolsonaro 2026”. Dias depois um esquecido ex-ministro sempre encrenqueiro, Ciro Gomes, faz questão de se mostrar com boné amarelo e mal pontuado “Vão trabalhar vagabundos.”. O governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas já tinha feito graça quando Trump tomou posse, e apareceu todo feliz, posando usando o boné “Make America Great Again” (Torne a América grande novamente), vermelho, mas vermelho Donald Trump, que fique bem claro.

Guerra de bonés? Não sei se meu humor não anda dos melhores ultimamente, e dá até preguiça enumerar aqui o número de problemas que nos afetam, incluindo as influências das emergências climáticas, gente e coisas boiando em enchentes, casas e vidas desmoronando, preços massacrantes, cada vez mais miseráveis nas ruas, violência desmedida, para citar alguns. Fora os acordes tenebrosos que chegam lá de fora (pesquisas já apontam o quanto nos sentimos tristes e temerosos a cada notícia). E eles usam bonés.

Como se estivessem no jardim de infância, e se é isso a tal melhoria de comunicação do governo, cantada em prosa e versos sidônicos, estamos perdidos. Bem perdidos. Mais ainda quando até o próprio presidente do país aparece com o tal bonezinho, e declara em alto e bom som coisas como: se os alimentos estão caros, não compre. Puxa, ele até que estava bonitinho andando de chapéu Panamá cobrindo o corte cirúrgico da cabeça, foi mudar para boné...

Não, não vou deixar de fora da bronca o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que essa semana lançou uma linha oficial de lenços (para mulheres) e gravatas (para homens) com o símbolo da Corte para serem usados para presentear autoridades em visitas institucionais ao Tribunal. “Ficou muito bonitinho”, disse. Sendo que pouco antes tinha reclamado da injustiça das críticas sobre os gastos do Judiciário.

Tá todo mundo doido? Lembrei do histórico ex-deputado Tenório Cavalcanti, o violento “Homem da Capa Preta”, que a usava e onde escondia a Lurdinha, sua metralhadora de estimação. Lembrei ainda de uns chinelos de couro e chapéus que fizeram moda no meio político.

Chego a sentir falta das camisetas, do bottons, flâmulas. Lembro até de alguns criativos que foram usados em campanhas passadas, como marketing político. Lembrei até da estrela de xerife usada na campanha de Robson Tuma nos idos, onde fazia referência ao pai, Romeu Tuma, chamado de xerife. Tinha a ver. Em campanha o ano passado o Marçal usou o M também em boné, o que temo tenha aberto a tampa dessa onda chapeluda.

Estou apavorada com o que mais pode vir dessas novas modas. Já pensaram? A careca do Xandão, todo mundo rapando. A cabeleira do Zezé/Trump? Ou do Milei, talvez? Umas perucas...As orelhas do Netanyahu. As barrigas de uns e outros.

Se a gente pensar, vai longe. Melhor não dar ideia.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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