Terça-feira, 9 de abril de 2013 - 05h05
Esta é a terceira vez em que escrevo sobre este assunto: a truculência da empresa que toma conta do Aeroporto Internacional de Guarulhos, sob o codinome de GRU Airport. Trata-se do melhor exemplo que conheço da privatização como desserviço público. Anteriormente, reportei as vezes em que fui molestado, destratado, injuriado pela empresa que tem a concessão do serviço público, porque, como deficiente físico, obrigam-me a passar por um tratamento não-isonômico. O fato é que tenho uma prótese de metal na perna esquerda, além das muletas de alumínio, e todo este metal aciona a campainha. Nenhuma pessoa que tenha uma moeda nos bolsos será molestado, mas comigo é diferente, sou levado por dois ou três seguranças de estilo MMA a uma sala reservada. Ali, com luvas, o sujeito verifica se a prótese existe mesmo, mas nem levanta a barra da calça. Quer dizer, toca sobre a calça, enquanto o seu segundo marca pose de agente federal. Ele não poderia tocar a calça em cima do capacho, como faz com a pessoa que tenha uma moeda no bolso? Na verdade, a moeda do bolso é retirada e a pessoa nem será inspecionada, mas deveria pela norma de segurança. Confesso que hoje não estou com paciência para falar disso, acabei de chegar do trabalho, na Universidade Federal, e tenho a cabeça ligada a assuntos relevantes, edificantes e não broxantes como este. Todavia, quero dizer com clareza que enviei uma mensagem semelhante a esta a diversos órgãos públicos: a própria INFRAERO; Secretaria Nacional de Direitos Humanos; OAB nacional; gabinete do senador Eduardo Matarazzo Suplicy. Apenas o senador me deu alguma satisfação. Na verdade, foram duas mensagens eletrônicas, a segunda já com o Ofício n.º 00213/2013, em anexo, encaminhando pedido de explicações formais à presidência da INFRAERO. É a segunda vez que o senador me responde com a verdade. Na primeira, em 2000, aceitou responder e participar de uma pequena enquete sobre o tema da pesquisa de doutorado: a governança eletrônica. Tal qual nesta mensagem, o senador Suplicy foi o único a responder aos e-mails enviados na época. Sua mensagem foi citada na íntegra no corpo da tese. O que mais gostaria de dizer sobre o caso é que o senador Suplicy é um político do bem. Para mim, sempre sinalizou o arete de que se ocupavam os gregos antigos, a ideia da excelência na política. Não falo apenas por este caso, mas por toda sua trajetória política. Penso que o político honesto, aquele de virtù, tem que ser anunciado para todos. Afinal, precisamos é de exemplos positivos. O mínimo que posso fazer é agradecer a presteza no tratamento de assunto de relevância pública.
Vinício Carrilho Martinez
Professor Adjunto III da Universidade Federal de Rondônia - UFRO
Departamento de Ciências Jurídicas/DCJ
Pós-Doutor pela UNESP/SP
Doutor pela Universidade de São Paulo
Ofício n.º 00213/2013 Brasília, 01 de abril de 2013.
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