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Gente de Opinião

Vinício Carrilho

Mãelévola


 

É a junção de mãe com malévola.

Também é o título de um programa de TV paga (que não vi e nem vou). Em todo caso, achei criativo e mereceu uma ponderação no dia de hoje.

As mães podem ser mãelévolas em duas situações básicas: a) quando escondem os filhos do mundo real – e assim ficam mimados, irresponsáveis, egoístas; b) soltam os filhos no mundo sem que ainda tenham a menor condição de viverem por conta própria. 

Os dois extremos são péssimos e responsáveis pela maioria das mazelas que temos visto cotidianamente, pois o zelo excessivo e o abandono formam seres indiferentes ao Outro.

Então, essa observação nos dá de presente o meio-termo, o equilíbrio que Aristóteles recomendava para seu próprio filho (Ética a Nicômaco).

Confesso que não tenho muito equilíbrio ou demoro a achar o meio-termo, mas ganhei de presente dos meus pais a educação. Por isso, no dia das mães, agradeço infinitamente a educação que recebi.

Obrigado minha mãe.

Por causa da educação que recebi sou capaz de ler (os sinais do mundo real), escrever (ainda que não tão bem), pensar (em mim e nos demais), refletir (sobre o que acabei de fazer ou no que ainda devo fazer) e escolher: ganhei autocrítica e autonomia.

A formação da autocrítica me revelou a possibilidade de escolher e de apostar na educação – como minha mãe, virei educador.

O melhor presente para dar ou receber é a educação. Infelizmente, meu pai já partiu, e só posso agradecer mentalmente.

Sei que também agradeço a eles toda vez que ajo com educação. Por isso, sempre penso que se você quer dar um presente a alguém, dê-lhe educação.

No caso de sua mãe, basta agradecer a educação que recebeu. Ela ficará muito mais feliz do que se recebesse um objeto qualquer. Ficará feliz porque participou ativamente na formação de uma pessoa, de um cidadão ou cidadã. Verá que formou um ser humano com mais opções do que ela mesma recebeu.

Garanto que nada é mais satisfatório do que isso. E falo como filho e educador. Parabéns a todas as mães que educaram seus filhos para serem honestos, produtivos e consequentes. Experimente dizer: “Mãe, obrigado pela educação que recebi”.

De minha parte, agradeço porque recebi a possibilidade de tentar ser melhor hoje, do que fui ontem.
 

Vinício Carrilho Martinez

Professor da Universidade Federal de São Carlos

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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