Sábado, 9 de fevereiro de 2013 - 11h34
A cada dia vemos o crime acompanhar o fluxo internacional do capital. Seja pelos depósitos das propinas de brasileiros corruptos, nos chamados paraísos financeiros, seja o tráfico internacional de armas, drogas ou pessoas. Quando imaginamos já ter visto tudo, algo diferente surge e tumultua o cenário. Em todo caso, a ideia básica é que o capital corrompe em todos os polos as relações sociais e isso, em algum momento, internacionaliza as atividades criminosas.
Sem pensar nas máfias tradicionais que também se enraízam pelo mundo afora, em todos os continentes, o sistema financeiro cada vez mais parece ser o sistema sanguíneo do capital acumulado na corrupção. Este seria o caso, para ficar apenas num exemplo, das Ilhas Jersey e o fluxo de capitais do mundo todo, na forma da lavagem de dinheiro, e que recebeu polpudas quantias do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf. Contudo, com movimentação superior a US$ 870 bilhões (R$ 1,74 trilhões), o crime organizado transnacional lembra as megaempresas transnacionais que exploram o capital em todo o globo.
Em outro caso mais prosaico, vimos a denúncia de que 680 jogos haviam sido manipulados em seus resultados por uma máfia de jogos de azar sediada nos Tigres Asiáticos. O hilário chegou a ocorrer a um brasileiro, quando ainda jogava futebol na Itália:
O jogo estava empatado em 1 a 1 até os acréscimos do segundo tempo. Então Tuta, que havia entrado no segundo tempo, marcou o gol da vitória. Não foi abraçado por nenhum de seus companheiros, exceto o brasileiro Fabio Bilica. E ainda foi xingado pelos rivais. O capitão do Bari até deu um tapa na cara do brasileiro na saída do campo (veja na imagem). O jogador teve até que prestar depoimento para a justiça esportiva local, na época[1].
Imagina você apanhar por fazer o que é pago para fazer, neste caso marcar gols. Bom, se o jogador apanhou por fazer gols, o que fariam com alguém que estivesse em seu caminho e realmente pudesse atrapalhar os negócios? As formas de violência mais brutais vêm à mente de todos, ao pensar nesses casos, e isto mostra-nos a força do capital. Realmente, com o capital na proa, não há nada, nem ninguém que não possa ser removido.
Vinício Carrilho Martinez
Professor Adjunto II da Universidade Federal de Rondônia
Departamento de Ciências Jurídicas
Doutor pela Universidade de São Paulo
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