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Leo Ladeia

Política & Murupi - A ponta do iceberg I


Política & Murupi - A ponta do iceberg I - Gente de Opinião
Política & Murupi - A ponta do iceberg I - Gente de Opinião

Embaixo do tapete a morte cabulosa do advogado Roberto Zampieri, no escritório em Cuiabá.  O autor, Antônio Gomes da Silva disse a polícia que o prendeu dias depois em Minas. O mandante, Anibal Manoel Laurindo e a razão, a disputa desde 1988 pela posse de mais de 4 mil hectares de terras. O caso: o irmão de Aníbal, José Vanderlei Laurindo perdeu na justiça uma fazenda que foi incorporada à do irmão no processo. Temendo sofrer o mesmo e face às ligações de Zampieri com um desembargador do TJMT, Aníbal optou pela via mais rápida. Diz a polícia que filhos e advogados de desembargadores do Mato Grosso estariam envolvidos no caso. Na ação da polícia foi apreendido o celular do advogado e documentos que estavam no seu carro quando ele foi assassinado e aqui a “porca torce o rabo”.  

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O juiz Wladmyr Perri  da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, ordenou que delegado que investiga a morte de Zampieri lhe entregasse todo material encontrado e que fatos e provas que surgissem fossem repassados apenas a ele, inclusive um envelope que teve o lacre rompido e os dados do celular cujo conteúdo deveria ser extraído e só a ele fosse dado conhecimento. Diante da estranha decisão do juiz, o MP e a viúva de Zampieri, levaram o caso ao CNJ e aí como disse Zé de Nana, “(*)erda subiu de preço”, pois um desembargador já entrou na mira do CNJ. Ocorre que o explosivo conteúdo do celular está na nuvem e apenas um ministro do CNJ tem a senha. O caso - que novidade! - está sob sigilo em todos os âmbitos e o ministro André Mendonça do STF ao analisar um mandado de segurança deu 72 horas para manifestação do CNJ, sobre o porquê de manter arquivado o conteúdo do e documentos da investigação. E aí? O que será que pensa o insuspeito ministro?

1.2-       A ponta do iceberg III 

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O caso Zampieri diz muito de cochichos em escritórios de advocacia, antessalas de ministros e autoridades insuspeitas, mas mexericos não comprovados falam que na “casa da ceguinha” ocorrem negócios escusos. Ainda que este caso não leve à conclusão de que existe “algo de podre no reino da Dinamarca”, acaba por alimentar as desconfianças e insegurança jurídica que estão presentes no seio da sociedade da “terra brasilis” e que levam a fatos como o atual, quando alguém descrente da justiça e desesperado, resolve usar o exercício das próprias razões. O corregedor Luiz Felipe Salomão do CNJ determinou a Wladmiy Perri que envie todo material para o CNJ e nomeou outra pessoa para ser o responsável por tudo sobre o caso. Gostei. É indispensável que o cidadão confie na justiça do Brasil.

1.2-       Sobre freios e contrapesos 

Sêo Barroso ergueu suas sobrancelhas e disse que “ressocializar a sociedade” é inescusável. Acho que está na hora de lembrar a esse “consultor dos céus” que a roda em sua forma definitiva já existe, que o mundo já foi criado e que a sociedade se assenta em princípios lapidados desde a antiga Grécia por Aristóteles em “A Política”, por John Locke em “Dois Tratados sobre o Governo” e por Montesquieu em “O Espírito das Leis”, ou seja, basta seguir o fluxo e deixar que os freios e contrapesos ajam livremente. Essa conversa também tem tudo a ver com outra fala do Sêo Barroso que deu uma conotação marota sobre a PEC aprovada na CCJ da Câmara Federal: “Não se mexe em instituições que funcionam”. A fala reativa ofende medianas inteligências, salvo e prática diária do STF o leve a crer que seja legítimo e legal que um, e apenas um, ministro altere o pensamento do colegiado da corte até em matéria pacificada ou que possa eliminar do Congresso o ofício de legislar e ser o braço constitucional pró freios e contrapesos. Ou então que se esqueça Montesquieu, pois “Não se mexe em instituições que funcionam”.

 

02-    Penúltimo pingo  

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A notícia publicada pela Veja que o STJ está sob investigação, levou o presidente do tribunal, Herman Benjamin, a reunir-se com todos os demais ministros a portas fechadas na segunda-feira, dia 7. Até ali as suspeitas sobre a venda de decisões judiciais recaiam sobre assessores e não aos ministros, mas a PF investigava os gabinetes dos ministros Paulo Dias Moura, Isabel Galotti, Nancy Andrighi e Og Fernandes. Foi justo quando o Coaf entrou na parada que Tico e Teco, meus dois neurônios avisaram que rolo desse tipo pôs fim à Lavajato. As falhas constantes de Tico e Teco e minha memória pós Covid não ajudam, mas parece que foi isso.     

03-    Ponto final

Hoje está sendo só bandalheira e agora, Bandarilha, nome da operação com 50 policiais civis entre agentes, escrivães e delegados, 9 auditores fiscais do estado, e 2 promotores de justiça, para recuperar R$ 90 milhões sonegados do governo por um frigorífico e casas de carne em Porto Velho. Irrita saber que a sonegação não reduziu o preço da picanha prometida na eleição pelo “grande líder”. Para o povo é só o osso. E como diria o excepcional “poca urna” Datena, é só no nosso.

leoladeia@hotmail.com

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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