Segunda-feira, 18 de dezembro de 2023 - 11h38


Ciro Nogueira é um advogado do
Piauí, estado que tem a receita pública como sua base econômica em 88% dos
municípios e onde o agronegócio amplia a fronteira com soja. Ciro é também
político no estilo bem brasileiro, filho e neto de políticos, com ligações
familiares noutros estados, grande influência em Brasília, “dono” do partido
“Progressistas”, espécie de partido “durex” que cola em qualquer governo, tendo
atuado desde a ARENA da ditadura militar, de onde vem suas raízes, Serviu a
FHC, a Lula por duas vezes, Dilma, Temer e Bolsonaro. Seu partido é junto com o
MDB e o União, a essência, o corpo e a alma do Centrão no governo Lula mais uma
vez, e opera na linha “franciscana do tomalá e dacá” com planos de formar uma
“superfederação”. É tudo muito parecido: o União é também um “durex” com origem
na ARENA, depois DEM com a fusão do pequeno, mas ligeiro PSL que abrigou e
elegeu Bolsonaro. Aliás, devo esta explicação sobre o capitão: Ele foi
integrante do PDC, mas passou pelo PPR, PPB, PTB, PFL, PP e PSC, o que demonstra
que a sua vida política foi sempre movimentada, diferente do outsider que era
vendido ao eleitor. Mas voltemos ao Ciro que é o mote da nossa coluna de hoje. Causaria
espanto se um político com suas características ficasse incólume ante os
tribunais e órgãos de controle principalmente e depois de estar ligado aos
governos desde FHC a Lula, sem ter sequer uma única digital nas maracutais, compras
de votos, estripulias e denúncias principalmente quando da Lavajato. Autoridade no Brasil sem processo na justiça é
tão raro quanto uma empresa que nunca sonegou imposto ou um jornalista que
nunca foi intimado a dar algum direito de resposta. Eu entendo que é algo quase
próprio da atividade.
Em 2020, a Procuradoria-Geral
da República denunciou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro. A investigação que ocorreu no âmbito da Operação
Lava Jato tinha como base uma delação premiada feita pela empreiteira Odebrecht
e seguia um padrão bastante conhecido de todos os brasileiros e de todos no Poder
Judiciário, inclusive o STF: os delatores afirmaram que, entre 2010 e 2014, o
senador Ciro Nogueira pediu repasses financeiros para auxiliar sua campanha
eleitoral e também a do seu partido, o PP, totalizando R$ 1,6 milhão, sendo R$
300 mil em 2010 e R$ 1,3 milhão em 2014. No curso da investigação foi
descoberto que havia mais um “Pixuleco” chinfrim, da ordem de mais R$ 6 milhões
omitidos na colaboração de Cláudio Melo Filho, que era amigo do senador. O
processo seguia seu curso até que em 06 de setembro de 2023, Sêo Toffoli com
uma canetada mandou para a Casa do Crica todas e quaisquer provas obtidas dos
sistemas Drousys e My Web Day B, utilizadas a partir do acordo de leniência
celebrado pela Odebrecht na Lava Jato. Jogada preparada por Sêo Ricardo e
conhecida no mundo do volei: um levanta na rede, o outro vem de trás, salta,
corta e bola na quadra!
Por amor à verdade, Sêo
Toffoli apenas reconheceu o que o STF já havia pacificado, quando Sêo Ricardo
Lewandowsky deu por inválida as tais provas e proibiu o uso no processo contra
Lula, decisão confirmada pela 2ª Turma do STF em fevereiro de 2022 que
transitou em julgado, possibilitando que outros réus fossem beneficiados, o que
efetivamente aconteceu. Foi a última pá de cal na Lavajato. Ora, se as provas
produzidas pela Odebrecht eram nulas para Lula, também seriam para outros e
claro, para Sêo Ciro Nogueira. Assim sem possibilidade de recursos a Supimpa
Corte fez o que era devido e em plenário virtual, apagou a nódoa que pesava
sobre o “dono” do Progressistas que já votou a favor do Dino que é seu amigo e possivelmente
“amigo do amigo do meu pai”. E porque iniciei este tópico falando de amor à
verdade, registro que na sua extensa e “corajosa decisão” de 135 páginas, Sêo Toffoli
diz que houve uma “armação” da força-tarefa e que a prisão de Lula foi um dos
“maiores erros judiciários da história do país”. Isso é irrecorrível,
irremediável, irrefutável, mas há alguns senões: muito dinheiro foi devolvido
aos cofres do Brasil, fruto das tais delações e esse dinheiro, em tese, teria
que ser devolvido aos seus legítimos donos, empresas ou delatores que ao fim e
ao cabo são ladrões do erário, mas fazer o que? Quem como Lula ficou preso, em
tese, tem direito receber indenização pelo estado que os prendeu injustamente. O dinheiro enviado ao exterior, em tese, deverá
retornar às mãos dos legítimos donos ou ladrões, mas por ora tá tudo dominado. E
Zé de Nana dispara: “Caneta na mão de juiz que decide sozinho de forma
monocrática é como baladeira na mão de menino arteiro. Um perigo para as vidraças”.
2-O
ÚLTIMO PINGO

Após 30 anos de marchas,
contramarchas, avanços, reecuos, paga, não paga, algumas ideias que tratavam de
reforma tributária sairam voando de algum escaninho e parara nas mesas das duas
casas do Congresso Nacional. A reforma tributária chegou com bastante atraso e
pasmem, para alguns parlamentares foi um ato açodado, intempestivo, carente de
mais discussões e tempo para maturação. “Vão-se lascar! Quanto tempo mais? 30
anos?” perguntou Zé de Nana. “Ah, mas isso vai aumentar o imposto” argumentam
alguns e digo de antemão que sim. Vai sim! Será que alguém rico, pobre, preto,
branco, de esquerda ou de direita acha que o governo fará uma reforma para
reduzir a carga tributária? De onde vocês tiraram isso? Gente, a conta é
simples: Por um lado vai haver redução de impostos – aquela sopa de letrinhas –
e no outro lado vai haver um aumento da carga. É concomitante. Entenderam o
infográfico aí? “Ah, mas o pobre vai ser
penalizado”, dirão alguns. Errado! Todos serão penalizados. Mas é certo que o
pobre vai sofrer muito mais que o restante. Como diz João Plenário, “pobre tem
que se lascar”. E para fim de conversa, uma reforma mal feita é melhor que
nenhuma reforma ou pior, muita conversa e por mais tempo. É isso: ou vai ou
vai!
3-PONTO FINAL
“Reforma tributária é consenso no abstrato e
abstrato no concreto”. – Artur Lira explicando (?) a reforma
“Não é nota 10, mas vai se transformar
em um sistema tributário admirado por investidores” – Haddad
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