Quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025 - 08h05
Bagé, 19.02.2025
Continuando
engarupado na memória:
Tribuna da Imprensa n° 4.302, Rio, RJ
Terça-feira, 17.03.1964
Oposição
Articula-se em Contra-Ofensiva a Jango
Brasília
(Sucursal) – Retorno do Congresso à Guanabara, “impeachment” do presidente, urgência para o projeto Aniz Badra e
proposição da nova lei do inquilinato, estes os pontos principais da
contraofensiva articulada nos diversos círculos da oposição, para enfrentar o “rush” iniciado pelo sr. João Goulart
sexta-feira última com o comício da Central do Brasil. Enquanto se anunciava
para hoje o pedido de “impeachment” “face às atitudes inconstitucionais do
presidente”, a UDN decidia encarregar o deputado Pedro Aleixo do elaboração
de um projeto de lei de inquilinato, para a reformulação de toda a legislação
vigente a respeito e pedia, através de seu líder, nova urgência para votação do
projeto Aniz Badra.
Impedimento: Jair Adverte Para o Perigo
Brasília
(Sucursal) – O general Jair Dantas Ribeiro manifestou ontem, em palestra
informal com alguns amigos, que a aceitação do pedido de “impeachment” seria “a
decretação de falência do Congresso”, justificando que o encaminhamento da
proposição criaria no País condições políticas idênticas às de agosto de 1961 e
as Forças Armadas seriam levadas a intervir, não podendo fazê-las contra o
povo. O ministro da Guerra, juntamente com seus colegas da Marinha e da
Aeronáutica, dará nas próximas horas um importante pronunciamento em apoio à
ação reformista do governo e contra a tentativa de “impeachment”. O pronunciamento marcará o início de uma série de
pronunciamentos de ministros civis e chefes militares, dentro do esquema de
mobilização em favor das reformas.
Mobilização
Paralelamente, as
forças populares desencadearam urna campanha nacional favorável às reformas,
criando um clima nacional que impossibilite qualquer tentativa de “impeachment” por parte do Congresso. A
primeira dessas manifestações será feita no dia 21 de abril em Belo Horizonte,
sob o patrocínio do PTB, com a presença do Presidente da República. Até o dia
1° de maio, quando pretendem as esquerdas reunir 1 milhão de pessoas no
Pacaembu, os ministros e autoridades do Governo deverão fazer repetidos pronunciamentos,
abrindo caminho para a campanha em favor da Constituinte com Jango.
Sargentos
Dispensados do serviço
por ordem do ministro Jair Dantas Ribeiro, sem que fossem ouvidos os chefes
esquerdistas dos subalternos, sargentos que trabalham no Ministério da Guerra
irão quarta-feira ao Palácio das Laranjeiras, em ônibus especiais fornecidos
pelo ministro, reivindicar do sr. João Goulart a aprovação de nova tabela de
vencimentos para a classe, anistia aos revoltosos de Brasília e a reforma
constitucional no item das inelegibilidades. O grupo de sargentos será
engrossado com um contingente de oficiais das três Armas, que pretendem
realizar uma passeata até o Palácio, onde sustentarão, juntamente com os
subalternos, as reivindicações comuns a ambos. Segundo se revela, o sr. João
Goulart mostrará aos militares, na ocasião, os esforços que o Governo tem feito
para atender a todas as pretensões das Forças Armadas, principalmente no que
diz respeito à atualização dos padrões de vencimentos.
Tribuna da Imprensa n° 4.304, Rio, RJ
Quinta-feira, 19.03.1964
Resposta a
um Caluniador
(Hélio
Fernandes)
Em Nota Oficial,
rabiscada do próprio punho, o ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro,
comunica ao País que resolveu processar, mais uma vez, este repórter. O motivo
de agora: a reportagem assinada que publiquei fazendo revelações estarrecedoras
sobre a compra de fuzis, onde a proteção dada a um dos grupos concorrentes
ameaça, o contribuinte com um prejuízo de 10 milhões de dólares. Na Nota
injuriosa publicada pelo ministro não há uma só explicação sobre a compra, pois
o ministro se considera muito importante para se dar ao trabalho de dialogar
com a opinião pública. Diálogo só com os pelegos do governo que ele sustenta.
Ainda na sua Nota Oficial, o general Jair Dantas Ribeiro chama este repórter de
caluniador e a “Tribuna”, Jornal do
qual sou diretor-responsável e único, de jornal antipátria. Vamos responder por
parte:
1° Na minha reportagem sobre a negociata dos
fuzis, não há uma só referência pessoal ou não ao ministro da Guerra, não há
uma só acusação formal a S. Exª como autor ou protetor da negociata;
2° Há apenas uma foto de S. Exª com a legenda: “O
ministro Jair Dantas ainda não disse nada”. É de estranhar, portanto, que S.
Exª tenha tão rapidamente enterrado a carapuça e se julgasse atingido por
afirmações que eu não fiz;
3° Alguns dos fatos ligados à compra dos fuzis são
públicos e notórios, como a expulsão dos jornalistas da sala do ministro, no
ato da assinatura do protocolo entre o Ministério e o grupo belga. Isso foi
publicado em vários jornais, inclusive aqui na “Tribuna”, sem o menor
desmentido do sr. ministro ou dos seus prestimosos relações públicas;
4° Alguns dos fatos citados por mim são escabrosos
demais para que se configurem como simples coincidência. S. Exª terá que
explicar, já não mais a mim ou à “Tribuna”, mas, sim, à opinião pública, porque
resolveu comprar fuzis belgas, preterindo os alemães, embora estes ofereçam as
seguintes vantagens: SÃO MAIS MODERNOS, MAIS FÁCEIS DE MANEJAR, MAIS LEVES,
MAIS EFICIENTES, MAIS FÁCEIS DE FABRICAR, USAM QUALQUER TIPO DE MUNIÇÃO, ALÉM
DE SEREM MAIS BARATOS;
5° Há ainda outro aspecto estarrecedor, citado na
minha reportagem. Os vendedores do fuzil alemão, usado por mais de 500 mil
soldados da NATO, propuseram o pagamento não em dólar e à vista, como exigem os
belgas, mas em minério da Vale do Rio Doce. É principalmente esse aspecto, além
dos outros citados, que torna a operação com os alemães mais sedutora e
irrecusável;
6° O que diz a isso o sr. ministro da Guerra? E o
que diz S. Exª do fato de a Vale do Rio Doce, logo que soube da proposta alemã,
ter insistido na sua realização, pois a ela interessa, e muito, vender minério
à Alemanha, pois sendo esta a maior compradora mundial de minério não compra uma
só grama ao Brasil? São essas algumas das respostas que o ministro terá que dar
à opinião pública.
Vamos
agora à parte da calúnia, da injúria e da difamação, pelas quais o ministro da
Guerra será processado por mim, pois já constituí advogados para isso. S. Exª
será chamado ao Tribunal competente para explicar porque me chamou de
caluniador e de diretor de um jornal antipátria.
S.
Exª vai ter que explicar aos juízes porque considera a “TRIBUNA DA IMPRENSA” um jornal antipátria, acusação séria demais
para que fique sem explicação. Todas as campanhas feitas por este repórter, nos
seus quase 29 anos de jornalismo, trazem a marca da brasilidade, foram feitas
com o sentido inequívoco e indiscutível de defender interesses nacionalistas,
sem aspas, contra interesses antinacionais.
São
tantas as nossas campanhas nesse sentido, que algumas até se perdem no tempo.
Mas desafio o sr. Jair Dantas Ribeiro a mostrar publicamente, uma só vez,
qualquer campanha em que eu tenha defendido o interesse estrangeiro contra o
legítimo interesse nacional, novamente sem aspas. Vou citar algumas, de
passagem, para refrescar a memória de S. Exª. Há anos luto quase que sozinho
contra os laboratórios estrangeiros. Fui eu quem denunciou, publicamente, o
fato de os laboratórios estrangeiros dominarem 85% da indústria brasileira do
ramo.
Desde
o tempo em que escrevia no bravo “Diário
de Notícias”, venho revelando que as companhias estrangeiras de seguro
dominam o mercado brasileiro. É minha a afirmação, feita em reportagem e não
respondida até hoje, de que, a partir de 1946 se processou a desnacionalização
das empresas brasileiras de seguros, sem uma providência do Governo.
A
Campanha de esclarecimento sobre os erros e os equívocos da má implantação da
indústria automobilística “brasileira”,
que só favoreceu a vorazes grupos estrangeiros, é minha, e única e
exclusivamente minha. E ainda há dias, em vários comentários, eu assinalava a
desastrosa participação do sr. Shultz Wenck, da Volkswagen, nesse processo
ruinoso para o Brasil. Este senhor, sozinho, detém mais de 80% das ações da
Volkswagen, com prejuízos mais do que evidentes para o Brasil.
A
Indústria de construção naval brasileira teve sempre neste repórter um defensor
ardente e entusiasmado. E foi uma campanha deste repórter que evitou que o
governo “nacionalista”, com aspas, do
qual faz parte o general Jair, comprasse na Iugoslávia navios que poderiam
facilmente ser construídos no Brasil. Apesar de uma campanha também insistente,
não consegui impedir a negociata da compra das colheitadeiras na
Tchecoslováquia, onde um “over-price”
de mil dólares por unidade fez alguns auxiliares do sr. João Goulart,
principalmente o sr. Eugênio Caillard, esquecerem a condição de “nacionalistas”.
Poderia
alongar-me e citar inúmeras outras campanhas feitas em defesa do interesse
brasileiro. Vou citar apenas uma última, da qual me orgulho e que é
precisamente a que mais exaspera os meus inimigos, como o general Jair Dantas
Ribeiro: A CAMPANHA ANTI-COMUNISTA. Esta, sim, é que concentra sobre mim o ódio
de todos os carreiristas como o general Jair Dantas. Pois não só eles ficam
ameaçados nas suas carreiras, que prezam acima dos interesses do próprio País,
como ficam completamente nus, e eles, sim, passíveis de serem classificados como
antipátria.
De
todas as campanhas que tenho feito, a mais arriscada, a mais temerária, a que
mais perigos encerra é a de esclarecimento sobre a traição comunista que se
prepara no Brasil. E qual é a posição do ministro da Guerra, enquanto essa
traição se prepara, já agora às escâncaras, com estarrecimento de todo o País?
Até agora não foi possível saber em que trincheira se colocou o ministro da
Guerra, não foi possível saber se S. Exª está disposto a cumprir firmemente e
sem vacilações o seu papel constitucional de defensor da ordem, da legalidade,
do regime e das instituições.
O
ministro da Guerra vai ter que provar no Tribunal competente, a menos que os
Tribunais competentes sejam fechados antes de julgamento, porque resolveu
subverter tão espantosamente a realidade, classificando como antipátria
precisamente um jornal e um jornalista que se colocam na primeira linha da luta
contra a traição e contra a vergonhosa submissão de alguns brasileiros aos
interesses subversivos da Rússia. Ou será que o ministro foi traído pelo
subconsciente e considera antipátria os que como eu se colocam contra a “pátria
comunista”? Será que a identificação de S. Exª, com os pelegos comunistas, “nacionalistas” e comunocarreiristas já
chegou a esse ponto?
# Jango Ameaça São Paulo com Intervenção #
O
sr. João Goulart ameaça decretar intervenção federal em S. Paulo caso o
governador Ademar de Barros confirme sua disposição de não dar cumprimento ao
decreto da SUPRA, que desapropria terras por interesse social. A informação é do
sr. João Pinheiro Neto, superintendente da SUPRA, que, em entrevista à
imprensa, anunciou a expropriação de duas fazendas do presidente da República e
de áreas situadas nos eixos de ferrovias e estradas de rodagem federais de
cinco Estados. Dessa forma, dá início à execução dos princípios contidos no
decreto assinado sexta-feira, no Comício das Reformas, pelo sr. João Goulart e
que constitui o primeiro passo para a reforma da estrutura agrária do País.
(*) Hiram Reis e
Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor,
Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
Link: https://youtu.be/9JgW6ADHjis?feature=shared
Campeão do II
Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente
da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do
Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do
Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do
Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4°
Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da
Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da
Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do
Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro da
Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);
Membro da
Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Membro do
Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)
Comendador da
Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
E-mail: hiramrsilva@gmail.com
Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – XXXVIII
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Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – XXXV
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Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – XXXIV
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Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – XXXIII
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